Artigo por
Ítalo Cunha
Spin-off focado em aventura solo e cooperação surpreende nas críticas, lidera ranking físico no Reino Unido e mostra que Splatoon pode ir além do PvP

Splatoon Raiders chegou ao Nintendo Switch 2 em 23 de julho de 2026 e já virou um daqueles casos curiosos em que o público parece ter entendido a proposta antes de parte da crítica mais ranzinza. O jogo é o primeiro spin-off oficial de Splatoon, troca o foco principal das batalhas competitivas por uma aventura de ação com raids, loot, upgrades e cooperação, e mesmo assim conseguiu sair forte. No Reino Unido, estreou em primeiro lugar no ranking físico semanal, superando Assassin’s Creed: Black Flag Resynced, segundo dados compilados pela GfK e repercutidos pela Nintendo Life.
Antes de tudo, uma curiosidade rápida: muita gente tem chamado o jogo de “Splatoon Riders” nas redes, mas o nome oficial é Splatoon Raiders. E esse “Raiders” faz sentido, porque a proposta gira justamente em torno de expedições, coleta de recursos e invasões contra hordas de Salmonids nas misteriosas Spirhalite Islands.
Diferente da trilogia principal, que construiu sua identidade em cima de Turf War, ranked, partidas rápidas e caos colorido online, Splatoon Raiders coloca o jogador no papel de um mecânico que trabalha ao lado do trio Deep Cut, formado por Shiver, Frye e Big Man, personagens apresentados em Splatoon 3.
A aventura se passa nas Spirhalite Islands, um arquipélago estranho, cheio de destroços, tesouros, Salmonids mais agressivos e mistérios ligados ao próprio mundo de Splatoon. O jogador personaliza o personagem, equipa armas de tinta, usa bugigangas mecânicas e sai em missões para coletar recursos, melhorar equipamentos e voltar mais preparado para a próxima rodada.
Segundo a página oficial da Nintendo Brasil, o game permite jogar sozinho, em cooperação local ou online para até quatro jogadores. O arquivo tem cerca de 20 GB, é exclusivo do Nintendo Switch 2 e custa R$ 279,90 na eShop brasileira. Para jogar online, é necessário ter assinatura Nintendo Switch Online.
O primeiro sinal forte veio das críticas. No Metacritic, Splatoon Raiders aparece com média 81 entre críticos, classificado como recepção geralmente favorável, e nota de usuários acima de 9 nos primeiros dias. Isso não significa que todo mundo amou, claro. O Guardian, por exemplo, foi bem mais frio e apontou repetição e falta de surpresa. Já veículos como TechRadar Gaming, Pocket Tactics, My Nintendo News e Nintendo Life trataram o jogo como uma reinvenção muito bem-vinda da franquia.
A recepção positiva chama atenção porque Raiders faz uma aposta arriscada: tira Splatoon do lugar mais óbvio. A série sempre foi lembrada como o shooter competitivo da Nintendo, com partidas rápidas, tinta para todos os lados e uma estética meio punk, meio moda de rua, meio bagunça de loja de tinta explodida. Ao transformar isso em uma estrutura de aventura PvE, com coleta e progressão, a Nintendo poderia facilmente entregar um produto com cara de modo extra vendido separado.
Mas não foi essa a leitura geral. O que muitos jogadores elogiaram é justamente o loop de “entrar na missão, pintar o mapa, derrotar Salmonids, pegar recursos, melhorar equipamento e tentar de novo”. É simples de entender, mas tem profundidade suficiente para prender. Aquele perigo clássico: você fala “só mais uma raid” e, quando percebe, já está devendo sono ao seu eu de amanhã.
A decisão mais inteligente da Nintendo foi olhar para Salmon Run, modo cooperativo de Splatoon 2 e Splatoon 3, e perceber que ali havia quase outro jogo escondido. Salmon Run sempre teve um apelo muito forte porque trocava a tensão do PvP por sobrevivência em grupo. Era menos “vou humilhar o time adversário” e mais “meu Deus, tem bicho vindo de todo lado, alguém revive esse infeliz aqui”.
Splatoon Raiders pega essa energia e expande. Em vez de partidas curtas isoladas, agora existe uma progressão mais longa, com equipamentos, tanques de tinta, gadgets e recompensas. A crítica especializada tem citado justamente esse ponto como o maior acerto: o jogo não abandona a movimentação, a tinta e o humor da série, mas muda a motivação do jogador.
Isso também abre uma porta importante para iniciantes. Muita gente sempre achou Splatoon bonito, criativo e estiloso, mas travava na ideia de entrar em um multiplayer competitivo cheio de gente experiente. Raiders reduz essa barreira. Dá para jogar no seu ritmo, testar armas, entender movimentação e chamar amigos quando quiser.
O hype é real, mas não precisa fingir que o jogo é perfeito. Algumas críticas fazem sentido. A variedade visual parece menor do que nos jogos principais, já que boa parte da experiência gira em torno de Salmonids e ilhas com estética mais contida. Também existe a reclamação de que certas missões podem ficar repetitivas depois de muitas horas, principalmente para quem esperava uma campanha com peso narrativo maior.
Outro ponto sensível para o Brasil é a ausência de português brasileiro entre os idiomas listados oficialmente. A Nintendo Brasil mostra suporte a inglês, japonês, francês, alemão, italiano, espanhol, coreano, holandês e chinês, além de espanhol latino-americano, mas nada de PT-BR. Para um jogo de ação, isso pesa menos do que em um RPG enorme, mas ainda é uma bola fora em 2026.
Mesmo com esses tropeços, a reação geral indica que o pacote funciona. E talvez funcione justamente porque Splatoon Raiders não tenta substituir Splatoon 4. Ele não chega dizendo “esqueça o competitivo”. Ele diz outra coisa: “esse universo aguenta mais formatos”.
A franquia Splatoon nasceu no Wii U, em 2015, como uma das ideias mais ousadas da Nintendo moderna. Em vez de copiar Call of Duty ou Battlefield, criou um shooter em que vencer não era apenas eliminar o adversário, mas pintar território. Foi uma resposta criativa a um gênero dominado por realismo militar, arma cinza e soldado bravo com nome genérico.
Agora, Splatoon Raiders mostra que a Nintendo talvez tenha percebido algo maior: Splatoon não é só uma mecânica. É um mundo. Tem música, moda, espécies, rivalidades, linguagem própria, cultura pop interna e personagens que poderiam sustentar histórias fora das arenas competitivas.
Se a Nintendo seguir por esse caminho, dá para imaginar mais spin-offs no futuro. Uma aventura mais narrativa, um jogo musical com as idols, um RPG leve no universo dos Inklings, ou até novas experiências cooperativas com temporadas e eventos. A franquia tem cor, estilo e personalidade para isso. Só precisava provar que o público compraria a ideia fora do formato tradicional.
Splatoon Raiders ainda está no começo da vida comercial, então é cedo para falar em vendas totais ou fenômeno mundial consolidado. Mas os sinais iniciais são fortes: boa média de crítica, ótima reação de jogadores, liderança física no Reino Unido e conversa intensa entre fãs. Para um spin-off que muita gente olhava com desconfiança, é uma largada excelente.
No fim, o maior mérito do jogo talvez seja mostrar que Splatoon cresceu. Não no sentido de ficar sério, sombrio ou adulto, graças a Deus não precisamos de Inkling traumatizado encarando chuva em trailer dramático. Cresceu porque agora parece grande o suficiente para suportar caminhos diferentes. E quando uma franquia da Nintendo consegue fazer isso sem perder sua identidade, a gente precisa prestar atenção.
A apuração consultou a página oficial da Nintendo Brasil de Splatoon Raiders, o ranking físico do Reino Unido divulgado pela Nintendo Life, a página do Metacritic e informações oficiais da Nintendo sobre modos, preço e recursos online.
FAQ
Splatoon Riders existe?
O nome oficial do jogo é Splatoon Raiders. Nas redes, algumas pessoas têm confundido o título como Splatoon Riders, mas a Nintendo usa oficialmente Raiders.
Splatoon Raiders está disponível para qual console?
Splatoon Raiders é exclusivo do Nintendo Switch 2. O jogo foi lançado em 23 de julho de 2026.
Splatoon Raiders tem multiplayer?
Sim. Embora seja focado em aventura para um jogador, ele permite cooperação local e online para até quatro jogadores. Para o modo online, é necessário ter Nintendo Switch Online.
Quanto custa Splatoon Raiders no Brasil?
Na eShop brasileira, Splatoon Raiders aparece por R$ 279,90. O valor pode variar em mídia física conforme loja, importação e disponibilidade.
Splatoon Raiders tem português brasileiro?
Não. A página oficial da Nintendo Brasil não lista português brasileiro entre os idiomas compatíveis.
Splatoon Raiders é parecido com Splatoon 3?
Ele usa a mesma identidade visual, armas de tinta e criaturas da franquia, mas muda o foco. Em vez de partidas competitivas tradicionais, aposta em raids, loot, upgrades e combate contra Salmonids.
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