Artigo por
Ítalo Cunha
PS5 já ficou mais caro, Xbox entrou na onda e o Switch 2 pode subir enquanto RAM, SSD e placas de vídeo também pesam no bolso

Comprar um videogame novo no Brasil ficou mais complicado durante 2026. O aumento dos consoles no Brasil deixou de ser uma possibilidade distante e já aparece em reajustes oficiais da Sony, em mudanças anunciadas pela Microsoft e na expectativa de uma nova tabela para o Nintendo Switch 2. Para completar o pacote, memória RAM, SSDs e placas de vídeo também sofrem com a pressão causada pela corrida global por inteligência artificial.
O problema não está apenas no preço de lançamento de um aparelho. Quando o console fica mais caro, os acessórios sobem junto, os jogos passam a parecer ainda mais pesados no orçamento e até as promoções precisam ser analisadas com lupa. O consumidor brasileiro não está apenas escolhendo entre PlayStation, Xbox ou Nintendo. Ele está tentando descobrir qual plataforma ainda entrega mais diversão pelo dinheiro disponível.
Durante muitos anos, o mercado de videogames seguia uma lógica relativamente previsível. O aparelho chegava caro, o custo de produção diminuía com o passar do tempo e as empresas lançavam versões menores ou promoções para ampliar a base de jogadores.
Esse modelo perdeu força. A fabricação continua cara, a memória está mais disputada, o transporte internacional ficou menos previsível e as empresas passaram a aceitar menos prejuízo na venda de hardware. A conta aparece no preço final, principalmente em países que dependem de importação e enfrentam impostos elevados, como o Brasil.
A Microsoft foi direta ao explicar sua nova política. Segundo a empresa, os custos de armazenamento e memória subiram mais de 2,5 vezes, com expectativa de nova pressão até 2027. A declaração foi feita no anúncio do reajuste mundial dos consoles Xbox. Leia o comunicado oficial da Xbox
A demanda dos data centers de inteligência artificial também influencia a cadeia. Empresas de tecnologia estão comprando grandes volumes de memória de alta velocidade para treinar e operar modelos de IA. Isso reduz a capacidade disponível para computadores domésticos, notebooks, consoles e placas de vídeo.
A IA não é a única culpada, claro. Há também câmbio, logística, tarifas, capacidade industrial e estratégia comercial. Mesmo assim, ela virou o grande aspirador de componentes do mercado. Enquanto um jogador compra um kit de memória para montar o PC, uma empresa pode encomendar milhares de módulos para abastecer um data center.
A Sony confirmou em março uma mudança importante no mercado brasileiro. Os novos preços sugeridos passaram a valer em 2 de abril de 2026.
A tabela ficou assim:
Os valores foram divulgados pela própria Sony no PlayStation Blog Brasil.
A alta mais pesada atingiu o PS5 tradicional com leitor, que ficou R$ 600 mais caro. O modelo digital aumentou R$ 600, enquanto o PS5 Pro subiu R$ 500. O Portal, que nem sequer é um console independente, passou a custar R$ 400 a mais.
Minha leitura é que a Sony está tentando reposicionar o PlayStation como um produto premium. O problema é que o consumidor brasileiro não recebe um aumento proporcional de renda, salário ou acesso a jogos. O console sobe, a assinatura pesa mais e os lançamentos digitais frequentemente chegam perto dos R$ 400 ou ultrapassam essa marca.
Ainda existem promoções no varejo, principalmente em bundles com jogos. Mas o preço sugerido maior cria uma nova referência para as lojas. Mesmo quando aparece uma oferta de R$ 4.000, ela pode parecer uma oportunidade imperdível apenas porque o preço oficial foi elevado antes.
A Microsoft anunciou outro aumento mundial para os consoles Xbox Series a partir de 1º de agosto de 2026. Os modelos de 512 GB passaram a ter acréscimo de US$ 100, enquanto as versões de 1 TB subiram US$ 150. A empresa também informou que deixará de vender o Xbox Series X de 2 TB.
Nos Estados Unidos, o Xbox Series S de 512 GB passou a custar US$ 399,99, enquanto o modelo de 1 TB ficou em US$ 499,99. O Xbox Series X de 1 TB alcançou US$ 799,99.
A Microsoft não publicou, nesse comunicado, uma tabela específica em reais para o mercado brasileiro. Por isso, não dá para transformar automaticamente o aumento em dólar em um valor oficial para o consumidor daqui. Lojas que trabalham com importação podem repassar a alta de formas diferentes, dependendo do estoque, do câmbio e da margem aplicada.
A situação é especialmente curiosa para o Xbox Series S. Ele nasceu como uma porta de entrada acessível para a geração atual, mas perdeu parte dessa vantagem depois de tantos reajustes. Quando um console de menor potência começa a se aproximar do preço de máquinas mais completas, a proposta original fica mais difícil de defender.
O Xbox ainda tem uma carta forte: o Game Pass. Para quem joga muitos títulos e não faz questão de comprar cada lançamento, a assinatura pode diminuir o custo por hora de diversão. O ponto delicado é que o jogador precisa realmente aproveitar o catálogo. Pagar a mensalidade e continuar comprando todos os grandes lançamentos não transforma o serviço em economia automática.
A Nintendo confirmou reajustes para o Nintendo Switch 2 em mercados como Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão. Nos Estados Unidos, o preço sugerido passará de US$ 449,99 para US$ 499,99 a partir de 1º de setembro de 2026. Confira o anúncio da Nintendo of America
No Brasil, o Switch 2 chegou com preço sugerido de R$ 4.499,90. O bundle com Mario Kart World foi lançado por R$ 4.799,90. Veja os valores de lançamento no mercado brasileiro
A informação que circulou recentemente aponta para um possível aumento de R$ 100, levando o modelo básico a R$ 4.599,90. Porém, até 11 de agosto de 2026, a Nintendo Brasil não confirmou esse valor.
A empresa informou que os novos preços para o Brasil e para outros países da América Latina serão divulgados posteriormente, em período próximo da mudança internacional. Acompanhe a atualização sobre a América Latina
De onde surgiu o número de R$ 100? Ele aparece em comentários de comunidades, expectativas de consumidores e anúncios de varejistas que exibem valores próximos de R$ 4.599,90. Isso explica a suspeita, mas não comprova uma nova tabela oficial.
Uma loja pode aumentar o preço por causa de estoque, frete, parcelamento, falta de unidades ou margem própria. Também existem diferenças entre modelo nacional, produto importado e console vendido por terceiros. O fato de um anúncio custar R$ 4.599,90 não significa que a Nintendo tenha definido esse preço.
Portanto, a informação correta é a seguinte: o aumento internacional do Switch 2 é oficial, mas o reajuste exato de R$ 100 no Brasil continua sem confirmação da Nintendo.
Se a empresa confirmar esse valor, o Switch 2 básico passará a custar R$ 4.599,90. Ainda não é possível afirmar o preço do bundle com Mario Kart World, porque o pacote pode receber uma correção diferente.
Quem pensa em abandonar os consoles e montar um computador precisa fazer as contas com calma. A crise de componentes também chegou ao mercado de PC.
Projeções da TrendForce apontaram alta de 55% a 60% nos preços de DRAM convencional e de 33% a 38% na memória NAND Flash durante o primeiro trimestre de 2026. SSDs voltados ao consumidor também entraram na zona de pressão. Veja os dados da TrendForce sobre memória
Na prática, isso afeta kits de memória RAM, notebooks, SSDs e placas de vídeo. A placa gráfica usa memória própria, normalmente GDDR, e também sofre quando os fabricantes precisam disputar capacidade industrial com o setor de inteligência artificial.
Relatos internacionais já apontam novas altas em placas de vídeo de determinados fabricantes. Um distribuidor japonês, por exemplo, sinalizou aumentos entre 20% e 40% em pedidos de alguns modelos Gigabyte. Isso não significa que todas as placas brasileiras subirão na mesma proporção, mas mostra como o problema pode se espalhar pela cadeia. Confira a análise sobre as placas Gigabyte
No Brasil, o impacto depende do estoque local. Uma loja que comprou produtos antes da alta pode manter uma promoção por algumas semanas. Outra que precise repor mercadoria rapidamente pode repassar o aumento quase imediatamente.
Para quem não precisa montar um PC agora, acompanhar o histórico de preços é mais inteligente do que comprar por medo. Para quem precisa substituir um SSD ou aumentar a memória, a decisão deve considerar a necessidade real. Comprar um componente de qualidade em uma oferta legítima pode ser melhor do que esperar uma queda que talvez demore.
O aumento do hardware acontece ao mesmo tempo em que os jogos continuam caros no lançamento. Na loja oficial da Nintendo, títulos recentes para Switch 2 aparecem em faixas como R$ 279,90, R$ 329,90, R$ 339,90 e R$ 389,90. Jogos como Pokémon Pokopia e Digimon Story Time Stranger chegaram próximos dos R$ 340 ou ultrapassaram esse valor em suas versões digitais. Confira os preços na Nintendo Store Brasil
Na PlayStation Store, a situação é parecida. O preço exibido para Grand Theft Auto VI aparece em R$ 549,90, enquanto EA Sports FC 27 está listado por R$ 499,00. Os valores podem mudar, mas servem como retrato da nova faixa dos lançamentos premium. Veja a loja oficial do PlayStation
A boa notícia é que as promoções ainda fazem diferença. A Promoção de Inverno da PlayStation Store, prevista até 12 de agosto de 2026, reúne descontos de 20%, 30%, 50%, 60% e até 80% em jogos selecionados. Baldur’s Gate 3, Forza Horizon 5, Dragon Ball Sparking! ZERO, Gran Turismo 7 e diversos títulos antigos aparecem com preços menores durante a campanha. Confira a Promoção de Inverno da PlayStation Store
O consumidor precisa fugir da falsa promoção. Um desconto de 20% sobre um preço que subiu pouco antes pode representar uma economia menor do que parece. Comparar o histórico de valores, checar outras lojas e avaliar a versão do jogo continuam sendo atitudes simples que evitam arrependimentos.
A primeira dica é não tratar todo reajuste como motivo para comprar imediatamente. O PS5 já recebeu uma tabela oficial nova, mas ainda aparecem bundles e ofertas abaixo do preço sugerido. No caso do Switch 2, o valor de R$ 100 ainda não passa de previsão. No Xbox, o impacto em reais pode variar bastante.
Também é importante verificar se o produto tem garantia nacional, nota fiscal e vendedor confiável. Um console importado pode custar menos, mas terá regras diferentes de assistência técnica e suporte. A economia inicial pode desaparecer se surgir um problema no aparelho.
Para jogos, esperar promoções costuma ser a escolha mais racional. Poucos lançamentos precisam ser comprados no primeiro dia, salvo quando o jogador quer participar da conversa desde o começo ou acompanhar uma comunidade competitiva. Em muitos casos, aguardar três ou seis meses representa uma redução significativa.
No PC, a melhor estratégia depende do componente. Memória RAM e SSD podem continuar pressionados pela demanda de servidores de IA, enquanto placas de vídeo também enfrentam custos maiores de memória. Montar o computador aos poucos pode fazer sentido, mas é preciso evitar comprar peças incompatíveis apenas porque apareceram em oferta.
O aumento dos consoles no Brasil não significa que jogar ficou impossível. Significa que o planejamento passou a fazer parte do hobby. A época de comprar qualquer aparelho em uma promoção rápida e esquecer o assunto acabou.
O mercado de games está ficando mais caro porque hardware, memória, armazenamento e produção passaram a custar mais. As empresas também perceberam que existe público disposto a pagar por produtos premium, mesmo quando a comunidade reclama. Para o consumidor brasileiro, a saída não é escolher uma marca por lealdade, mas comparar o custo total da experiência.
Um console barato com jogos caros pode deixar de ser econômico. Um aparelho mais caro com catálogo acessível pode compensar. Um PC de entrada pode parecer interessante, mas virar um problema quando a placa de vídeo e a memória precisarem de upgrade.
A pergunta deixou de ser apenas “qual console eu quero?”. Agora também é “quanto custa continuar jogando nele durante os próximos anos?”. Quem fizer essa conta antes de comprar terá muito mais chance de escapar dos reajustes, das falsas promoções e daquele arrependimento que chega depois da fatura do cartão.
P: O Nintendo Switch 2 vai subir R$ 100 no Brasil?
R: A Nintendo confirmou reajustes internacionais, mas ainda não confirmou oficialmente o valor brasileiro de R$ 100. A cifra apareceu em especulações e em anúncios de varejistas próximos de R$ 4.599,90.
P: Qual é o preço atual de referência do Nintendo Switch 2 no Brasil?
R: O modelo básico foi lançado por R$ 4.499,90. O bundle com Mario Kart World chegou por R$ 4.799,90, mas os preços podem variar entre lojas e promoções.
P: Quanto custa o PlayStation 5 no Brasil depois do reajuste?
R: O PS5 com leitor passou a ter preço sugerido de R$ 5.099,90. A versão digital ficou em R$ 4.599,90, enquanto o PS5 Pro passou a custar R$ 7.499,90.
P: O Xbox também aumentou de preço em 2026?
R: Sim. A Microsoft anunciou alta mundial a partir de agosto, com acréscimo de US$ 100 nos modelos de 512 GB e US$ 150 nas versões de 1 TB. O repasse específico para o Brasil pode variar conforme câmbio, estoque e importação.
P: Por que a memória RAM e os SSDs ficaram mais caros?
R: A procura por memória usada em servidores de inteligência artificial reduziu a oferta disponível para computadores domésticos. A demanda também afeta placas de vídeo, notebooks, consoles e outros eletrônicos.
P: Ainda vale a pena comprar um console em 2026?
R: Pode valer, principalmente quando há uma boa promoção, garantia nacional e jogos compatíveis com o perfil do jogador. Antes da compra, compare o preço do aparelho, dos jogos, dos acessórios e das assinaturas.
© 2026 Cabra Geeki · Brasil · Todos os direitos reservados.