Artigo por
Ítalo Cunha
Guitarrista diz que o disco está cada vez mais perto, mas a banda ainda não revelou data nem formato do lançamento

O Guns N’ Roses pode finalmente estar se aproximando de um novo álbum completo com Slash, Axl Rose e Duff McKagan juntos. A declaração mais recente do guitarrista reacendeu a empolgação dos fãs, mas também trouxe de volta uma velha desconfiança: quantas vezes a banda já prometeu material novo sem apresentar um disco de fato?
Durante uma entrevista repercutida pelo Whiplash, Slash afirmou que o novo trabalho está “cada vez mais perto” e comparou o processo à época de Use Your Illusion. A fala é animadora, mas não representa um anúncio oficial de lançamento. Até agora, não existe data confirmada, título, capa ou lista de faixas.
A esperança, portanto, voltou. Só não dá para tratar o disco como algo já pronto.
A banda vem trabalhando com material inédito há algum tempo. Em janeiro, Slash explicou que o Guns N’ Roses pretendia produzir um álbum completo com músicas originais, depois de finalizar uma sequência de lançamentos derivados das sessões de Chinese Democracy.
A declaração fazia referência a faixas como “Absurd”, “Hard Skool”, “Perhaps”, “The General”, “Atlas” e “Nothin’”. As quatro primeiras chegaram ao público entre 2021 e 2023. “Atlas” e “Nothin’” foram lançadas em dezembro de 2025 e completaram o conjunto de músicas antigas retrabalhadas pela formação atual. A Universal Music Brasil confirmou o lançamento das duas faixas e a participação delas na nova fase da banda.
A diferença agora é que Slash fala em uma etapa criativa nova. Em entrevista à Loudwire, o guitarrista explicou que o grupo tem bastante material para avaliar e que precisa selecionar, organizar e transformar essas ideias em um álbum coerente. Ele também afirmou que o trabalho “está chegando”, embora não tenha apresentado um calendário. A entrevista completa foi publicada pela Loudwire.
É uma confirmação de intenção, não de cronograma.
Use Your Illusion I e Use Your Illusion II representam uma das fases mais ambiciosas do Guns N’ Roses. A banda tinha material de sobra, estilos diferentes e uma vontade clara de ampliar os limites do hard rock que havia explodido com Appetite for Destruction.
O resultado foi um projeto enorme, dividido em dois álbuns lançados no mesmo dia, em setembro de 1991. Havia hard rock direto, baladas épicas, blues, piano, letras políticas e músicas longas que dificilmente seriam aprovadas por uma gravadora interessada apenas em repetir o sucesso anterior.
Quando Slash compara o momento atual com aquela fase, ele provavelmente não está confirmando que o próximo disco será duplo. A interpretação mais prudente é que a banda voltou a lidar com uma quantidade grande de ideias e precisa descobrir quais delas realmente merecem entrar no álbum.
Essa diferença é decisiva. Ter muitas músicas não significa ter um bom disco. O Guns N’ Roses já aprendeu isso da maneira mais difícil.
O último álbum de estúdio da banda, Chinese Democracy, chegou em 2008 depois de anos de produção, mudanças de músicos, regravações e conflitos criativos. O disco teve momentos interessantes, mas também ficou marcado por um processo tão longo que acabou virando quase uma lenda da indústria musical.
Slash e Duff não participaram da formação principal daquele álbum. Por isso, um novo trabalho com os dois ao lado de Axl teria um peso simbólico enorme. Seria o primeiro disco completo com essa combinação desde The Spaghetti Incident?, lançado em 1993, e o primeiro álbum de músicas originais com os três desde Use Your Illusion I e II.
O problema é que a história do Guns N’ Roses tornou os fãs especialistas em esperar. O público já ouviu promessas sobre novo material em diferentes momentos, enquanto a banda continuou priorizando turnês, festivais e apresentações de longa duração.
Em 2026, o grupo segue com uma agenda internacional extensa, incluindo passagens pelo Brasil e outras regiões. A programação da turnê foi divulgada pela Universal Music.
A primeira leitura é otimista. Slash, Duff e Axl estão juntos há cerca de uma década, a banda continua ativa e os lançamentos recentes provaram que existe disposição para apresentar material novo. Mesmo que “Absurd” e “Hard Skool” tenham raízes nas sessões de Chinese Democracy, músicas como “Atlas” e “Nothin’” mostram que o grupo ainda consegue trabalhar em diferentes climas.
A segunda visão é mais desconfiada. “Está chegando” pode significar meses, mas também pode significar anos. O próprio Guns N’ Roses tem uma relação complicada com prazos, e a rotina de shows pode empurrar o estúdio para depois, depois e depois. Para o fã, a diferença entre esperança e propaganda está na existência de uma data.
A terceira leitura talvez seja a mais realista. O disco não precisa ser uma tentativa de recriar 1987 ou 1991. A banda atual não é a mesma, os músicos estão em outra fase da vida e o público também mudou. Um bom álbum teria mais valor se assumisse essa maturidade em vez de tentar copiar o passado como se o relógio tivesse parado.
O Guns N’ Roses não precisa provar que ainda consegue fazer Appetite for Destruction. Isso já está registrado na história. O desafio é mostrar que a formação atual possui uma identidade artística própria.
Por enquanto, o mais seguro é esperar um projeto original, mas sem criar uma data imaginária. Slash já afirmou que as músicas antigas retrabalhadas foram praticamente esgotadas. O próximo passo seria reunir novas composições, selecionar o material e gravar um álbum de verdade.
Também existe uma discussão sobre o formato. O guitarrista já comentou que a indústria mudou e que o público passou a consumir faixas isoladas com mais frequência. Ainda assim, ele defende a existência de um álbum como obra completa, especialmente para os fãs que compram vinil e gostam de acompanhar uma sequência de músicas.
Essa escolha pode ser relevante para o Guns N’ Roses. Singles mantêm a banda em circulação, mas um álbum cria uma narrativa, gera debates e mostra qual direção o grupo quer seguir. Para uma banda com esse peso histórico, seis músicas espalhadas ao longo dos anos não têm o mesmo impacto de um trabalho pensado como conjunto.
A notícia de Slash é boa, mas precisa ser lida com calma. O novo álbum parece mais possível do que antes, porém ainda está na zona das promessas concretas, não dos lançamentos confirmados. Até a banda anunciar gravações concluídas, capa ou data oficial, o melhor é manter o entusiasmo acompanhado de um pouco de pé no chão.
P: O Guns N’ Roses confirmou um novo álbum?
R: Slash confirmou que a banda trabalha na ideia de um novo disco com material original. Porém, ainda não existe data oficial, título ou capa anunciada.
P: O novo álbum terá Slash, Axl Rose e Duff McKagan?
R: A expectativa é que sim. Slash e Duff estão novamente na formação ao lado de Axl desde 2016, e o projeto é tratado como um álbum da formação atual.
P: O disco será parecido com Use Your Illusion?
R: Slash comparou o processo atual à fase de Use Your Illusion, principalmente pela quantidade de material. Isso não confirma que o próximo lançamento será um álbum duplo.
P: Quais são as músicas mais recentes do Guns N’ Roses?
R: “Atlas” e “Nothin’” foram lançadas em 2025. Antes delas, a banda apresentou “Absurd”, “Hard Skool”, “Perhaps” e “The General”.
P: Quando o novo álbum do Guns N’ Roses será lançado?
R: A banda ainda não divulgou uma data. O trabalho pode avançar após a agenda de shows, mas qualquer previsão de lançamento continua especulativa.
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