Artigo por
Ítalo Cunha
Enquanto Ciri assume o protagonismo, Songs of the Past prepara uma nova viagem de Geralt

Quem esperava jogar The Witcher 4 nos próximos meses recebeu uma notícia capaz de gerar ansiedade e alívio ao mesmo tempo. A CD Projekt confirmou que o novo RPG está planejado para 2028, mas ainda não revelou mês, dia ou uma janela mais específica. Para uma franquia que carrega o peso de The Witcher 3, talvez a demora seja justamente o que pode impedir outro lançamento problemático.
A espera será longa, mas não significa que os fãs ficarão sem novidades. Antes da chegada de Ciri ao centro da nova saga, Geralt de Rívia retornará em uma expansão inédita para The Witcher 3, chamada Songs of the Past.
A confirmação veio em uma mensagem publicada por Michał Nowakowski, co-CEO da CD Projekt RED, antes da Gamescom 2026. O executivo afirmou que a equipe ainda não está pronta para anunciar uma data exata, mas estabeleceu 2028 como o objetivo de lançamento. O jogo também não será apresentado durante a Gamescom deste ano, já que a empresa decidiu concentrar a atenção na nova expansão de The Witcher 3. A atualização foi publicada pela própria CD Projekt.
A notícia pode decepcionar quem esperava um lançamento mais próximo, mas existe uma diferença importante entre uma janela distante e um projeto sem direção. The Witcher 4 já está em produção avançada, com uma equipe superior a 500 desenvolvedores, segundo informações divulgadas pela imprensa especializada. A CD Projekt não está simplesmente dizendo “um dia sai”. Está tentando evitar a repetição do cenário que marcou a estreia de Cyberpunk 2077.
O lançamento de Cyberpunk 2077 mostrou que uma campanha de marketing gigantesca não consegue proteger um jogo que chega com problemas técnicos graves. A CD Projekt recuperou parte da confiança do público com atualizações, Phantom Liberty e melhorias constantes, mas a ferida ainda existe. The Witcher 4 será julgado antes mesmo de chegar às lojas.
Por isso, 2028 pode funcionar como uma espécie de período de reconstrução. O estúdio terá mais tempo para polir o mundo aberto, testar o combate, ajustar a narrativa e provar que a nova geração da franquia não depende apenas do prestígio conquistado por Geralt.
A expansão Songs of the Past foi anunciada oficialmente em maio de 2026 como a terceira grande expansão de The Witcher 3: Wild Hunt. O projeto será desenvolvido em parceria com a Fool’s Theory, equipe formada por veteranos que trabalharam no próprio The Witcher 3. O lançamento está previsto para 2027 no PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A CD Projekt confirmou os detalhes iniciais em seu comunicado oficial.
A proposta coloca Geralt novamente no centro de uma aventura inédita, mais de uma década depois da chegada do jogo original. O estúdio ainda não revelou a história completa, a região explorada ou o preço, mas já deu uma pista importante sobre o tamanho do projeto: Songs of the Past será mais próxima de Blood and Wine do que de Hearts of Stone em escala.
Isso não significa necessariamente que a expansão terá o mesmo número de horas ou uma nova região tão extensa quanto Toussaint. A comparação serve para mostrar que não estamos diante de uma missão adicional de três horas. A intenção é criar uma aventura capaz de justificar o retorno ao mundo aberto, com novas situações, personagens e conflitos.
A própria CD Projekt faz questão de diferenciar a palavra “expansão” de “DLC”. Para a empresa, DLC representa conteúdos menores, muitas vezes gratuitos. Songs of the Past será uma produção maior e provavelmente terá venda separada. O preço ainda será anunciado. A transcrição da reunião com investidores registra essa distinção e confirma a mudança do lançamento para 2027.
Outro detalhe interessante envolve Gwent. A expansão terá novas cartas para o jogo de cartas dentro de The Witcher 3, uma decisão que parece pequena, mas diz muito sobre a intenção da equipe. Gwent nunca foi apenas um minijogo. Para muitos jogadores, ele virou uma segunda campanha, uma coleção paralela e até a principal razão para explorar tavernas e comerciantes. A presença de novas cartas foi confirmada em entrevistas com a equipe.
A expansão possui uma função emocional evidente. Ela permite que o público volte a controlar o personagem que transformou a franquia em uma das maiores forças dos RPGs modernos. Porém, a função comercial é igualmente clara: manter The Witcher vivo até a estreia do novo capítulo.
A CD Projekt reconhece que Songs of the Past pode servir como uma lembrança do universo e até como uma espécie de prólogo indireto para The Witcher 4. O estúdio, no entanto, afirma que a prioridade é entregar uma boa aventura para os fãs de The Witcher 3, não apenas fazer propaganda do próximo jogo.
Esse equilíbrio será delicado. Se a expansão parecer um trailer jogável de The Witcher 4, parte do público pode enxergá-la como uma estratégia de marketing disfarçada. Se ignorar completamente Ciri e os acontecimentos futuros, perderá a oportunidade de preparar os jogadores para uma mudança de protagonismo que já foi anunciada.
The Witcher 4 colocará Ciri no centro da narrativa. Isso abre possibilidades interessantes, porque ela não é apenas uma substituta de Geralt. Ciri possui outra relação com a política, com a magia e com o próprio conceito de liberdade. Geralt é um profissional tentando sobreviver em um mundo que o despreza. Ciri sempre esteve ligada a disputas maiores, profecias e decisões capazes de alterar o destino de reinos inteiros.
A nova trilogia terá de provar que Ciri pode carregar uma história sem copiar o caminho do mentor. Se ela apenas repetir o ciclo de contratos, monstros e tavernas, a mudança parecerá cosmética. O sucesso dependerá de criar uma identidade própria para a personagem, sem apagar aquilo que tornou The Witcher especial.
The Witcher 3 ultrapassou 65 milhões de cópias vendidas e continua atraindo novos jogadores mais de uma década depois do lançamento. A expansão também pode alcançar pessoas que ainda não conhecem a franquia, principalmente porque The Witcher 3: Complete Edition passou a fazer parte do catálogo de planos superiores do Xbox Game Pass. Os números e a estratégia de expansão da comunidade foram divulgados pela CD Projekt.
Essa popularidade é uma bênção e uma armadilha. The Witcher 4 não competirá apenas com outros RPGs lançados em 2028. Ele competirá com a memória que os jogadores guardam de Novigrad, Skellige, Kaer Morhen e Toussaint.
O público espera escolhas moralmente complicadas, missões secundárias com impacto real e personagens que pareçam existir mesmo quando o jogador não está olhando. Também espera um mundo aberto que não seja apenas enorme, mas interessante. De nada adianta uma mapa gigantesco se a maior parte dele servir apenas para coletar recursos e limpar ícones.
A CD Projekt também terá de lidar com uma expectativa técnica enorme. The Witcher 4 será o primeiro jogo principal da franquia desenvolvido na Unreal Engine 5, o que representa uma mudança significativa em relação à tecnologia utilizada nos títulos anteriores. O novo motor pode facilitar a produção de um mundo maior e mais detalhado, mas não resolve sozinho problemas de roteiro, ritmo ou design.
Songs of the Past será exibida durante a programação da Gamescom 2026, com uma apresentação prevista para o Opening Night Live. A expansão chega em 2027, mas ainda não tem data específica nem preço confirmado.
The Witcher 4 está planejado para 2028. O projeto deverá chegar ao PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, embora a CD Projekt ainda não tenha divulgado uma ficha completa de plataformas, requisitos ou detalhes de pré-venda.
A expansão de The Witcher 3 não será lançada para PlayStation 4, Xbox One ou Nintendo Switch. A decisão está ligada à base tecnológica da atualização de nova geração lançada em 2022. As versões antigas do jogo continuarão funcionando, mas não receberão Songs of the Past. A própria CD Projekt explicou a limitação de hardware em sua página de suporte.
A grande pergunta é se essa espera será usada para construir uma nova era ou apenas para aumentar o tamanho da cobrança. Minha leitura é que a CD Projekt fez a escolha mais segura. The Witcher 4 não precisa chegar rapidamente. Precisa chegar pronto para sustentar uma nova trilogia, uma nova protagonista e uma comunidade que aprendeu a desconfiar de promessas grandiosas.
Geralt ainda terá uma última grande estrada para percorrer em Songs of the Past. Depois disso, Ciri precisará convencer o público de que The Witcher pode continuar sem depender eternamente do velho lobo branco. Se a CD Projekt acertar essa passagem, 2028 deixará de parecer uma espera cruel e começará a ser lembrado como o tempo necessário para fazer a nova saga nascer com dignidade.
The Witcher 4 será lançado quando?
A CD Projekt confirmou que o jogo está planejado para 2028. Ainda não existe mês, dia ou janela mais específica de lançamento.
Geralt será o protagonista de The Witcher 4?
Não. A nova saga terá Ciri como protagonista. A participação de Geralt ainda não foi detalhada oficialmente.
O que é Songs of the Past?
É a terceira grande expansão de The Witcher 3: Wild Hunt. Ela trará uma aventura inédita com Geralt e será lançada em 2027.
Songs of the Past chegará ao PlayStation 4 e Nintendo Switch?
Não. A expansão será lançada para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. As versões de PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch não receberão o conteúdo.
Songs of the Past será gratuito?
A CD Projekt trata o projeto como uma expansão completa, e não como um DLC menor. O preço ainda não foi anunciado.
Material consultado na apuração desta matéria.
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