Artigo por
Ítalo Cunha
Acidente aconteceu no encerramento com “For Those About to Rock” e reacendeu a discussão sobre risco em produções gigantes do rock

Brian Johnson levou um susto daqueles durante o show do AC/DC no Allegiant Stadium, em Las Vegas, no sábado, 1º de agosto de 2026. Um dos canhões cenográficos usados pela banda tombou no palco durante “For Those About to Rock (We Salute You)” e lançou um projétil que atingiu o chão muito perto do vocalista. A cena foi registrada por fãs e circulou rapidamente nas redes sociais.
O detalhe que torna o caso ainda mais tenso é o momento em que tudo aconteceu. A música costuma fechar os shows do AC/DC justamente com os canhões disparando no palco, uma tradição visual da banda desde o começo dos anos 1980. Só que, dessa vez, a marca registrada quase virou acidente sério.
Durante a parte final da apresentação, um dos canhões posicionados no cenário perdeu estabilidade e tombou. Ao cair, o equipamento disparou um projétil cenográfico que bateu no chão a poucos centímetros de Brian Johnson. O cantor percebeu o impacto, recuou imediatamente e ficou alguns segundos olhando para o local, aparentemente assustado.
Mesmo com o susto, Johnson não foi atingido e a apresentação seguiu até o fim. Até o momento, não há relatos de feridos entre músicos, equipe técnica ou público. Também não houve comunicado oficial do AC/DC explicando a falha.
A informação foi repercutida pela Rolling Stone Brasil, com base nas imagens compartilhadas nas redes sociais. O episódio aconteceu durante a etapa norte-americana da Power Up Tour, que marca o retorno da banda aos grandes estádios com Brian Johnson, Angus Young, Stevie Young, Matt Laug e Chris Chaney.
O uso dos canhões não é enfeite aleatório. Eles fazem parte da identidade ao vivo de “For Those About to Rock (We Salute You)”, faixa lançada em 1981 no álbum de mesmo nome. A música termina como uma espécie de saudação militar exagerada, barulhenta e totalmente AC/DC, com disparos acompanhando os acordes finais.
Esse ritual virou tão famoso que muita gente espera pelos canhões como espera pelo riff de “Back in Black” ou pelo uniforme escolar de Angus Young. É teatro de arena. É rock de estádio no modo mais bruto possível. E, sejamos honestos, é exatamente esse exagero que sempre fez parte do charme da banda.
Só que existe uma diferença enorme entre perigo encenado e perigo real. O público quer sentir impacto, vibração, fumaça e aquele barulho que faz o peito tremer. Ninguém compra ingresso para ver um equipamento pesado perder controle perto de um vocalista de 78 anos.
Brian Johnson, inclusive, já comentou no passado que conviver com os canhões não era exatamente confortável. Em entrevista antiga, ele brincou que poderia escrever um livro sobre ficar embaixo daquele aparato por décadas, citando faíscas e marcas de queimadura nos ombros. Na época, parecia aquela reclamação de veterano que já viu de tudo. Depois do incidente em Las Vegas, a frase ganha outra camada.
Shows de rock sempre flertaram com risco. Fogos, plataformas móveis, elevadores de palco, explosões, telões gigantes, cabos suspensos, chamas, fumaça, gruas, passarelas e toneladas de equipamento montadas em poucas horas. O público vê a magia. A equipe vê cálculo, checklist, tensão e manutenção.
Quando funciona, ninguém pensa nisso. Quando dá errado, todo mundo lembra que um mega show é praticamente uma obra de engenharia temporária com música ao vivo em cima.
O caso do AC/DC chama atenção porque envolve uma banda com produção extremamente tradicional. Não estamos falando de um artista novato improvisando efeito pirotécnico em festival pequeno. É uma das maiores bandas de rock da história, em um estádio moderno, com turnê internacional e décadas de experiência em palco. Ainda assim, o erro aconteceu.
Isso não significa que o show seja inseguro por padrão. Acidentes podem acontecer mesmo em produções profissionais. Mas reforça que ícones visuais também precisam envelhecer bem do ponto de vista técnico. Um canhão que funcionava como símbolo nos anos 1980 precisa passar por outro nível de controle em 2026, principalmente quando o próprio público grava tudo em alta definição e publica antes de a equipe desmontar o palco.
A reação de Brian Johnson foi muito comentada porque ele recuou, olhou para o impacto e voltou à performance. É aquele tipo de sangue frio que combina com veterano de estrada. O cara já passou por problemas auditivos, afastamento temporário da banda, retorno aos palcos e uma vida inteira cantando em volume absurdo. Um canhão tombando perto dele é susto grande, mas não derruba fácil quem sobreviveu ao próprio AC/DC.
Ainda assim, não vale transformar isso em romantização barata. Profissionalismo não pode virar desculpa para normalizar falha de segurança. O cantor continuar cantando é admirável. O equipamento cair perto dele continua sendo grave.
O melhor desfecho agora seria uma revisão interna séria da produção, mesmo que a banda não torne isso público. Checar fixação, ângulo, mecânica, protocolo de disparo, distância dos músicos e reação da equipe técnica é o mínimo. O show precisa continuar, claro. Mas não precisa continuar fingindo que susto é parte obrigatória da experiência.
O show de Las Vegas faz parte da Power Up Tour, que acompanha o álbum “Power Up”, lançado em 2020. A turnê trouxe o AC/DC de volta aos grandes palcos e tem sido tratada como uma celebração da longevidade da banda, especialmente após anos marcados por problemas de saúde, mudanças de formação e incertezas sobre o futuro.
A etapa norte-americana começou em julho e segue com datas programadas até 29 de setembro, quando o grupo encerra a sequência na Filadélfia. Até agora, não há indicação de cancelamento ou alteração no calendário por causa do incidente em Las Vegas.
O episódio, porém, deixa uma imagem forte. O AC/DC sempre vendeu a fantasia do rock como algo barulhento, perigoso e indomável. Só que a idade da banda, dos fãs e da própria indústria mudou. O desafio agora é manter a potência sem transformar tradição em risco desnecessário.
“For Those About to Rock” continua sendo um encerramento perfeito para um show do AC/DC. Os canhões ainda são parte da mitologia. Mas depois de Las Vegas, talvez todo mundo olhe para aquele momento com um pouco mais de atenção. Inclusive Brian Johnson.
FAQ
O que aconteceu com Brian Johnson no show do AC/DC em Las Vegas?
Um canhão cenográfico tombou durante “For Those About to Rock” e lançou um projétil que bateu no chão muito perto do vocalista. Brian Johnson recuou rapidamente e não foi atingido.
Brian Johnson ficou ferido no acidente?
Não há relatos de ferimentos. O cantor não foi atingido e o show continuou até o fim.
Em qual música o canhão tombou?
O incidente aconteceu durante “For Those About to Rock (We Salute You)”, faixa que tradicionalmente encerra os shows do AC/DC com disparos de canhões no palco.
O AC/DC comentou oficialmente o acidente?
Até o momento, a banda não divulgou comunicado oficial sobre a falha no palco de Las Vegas.
Por que o AC/DC usa canhões nos shows?
Os canhões fazem parte da apresentação de “For Those About to Rock” desde os anos 1980. Eles viraram uma das marcas visuais mais conhecidas da banda ao vivo.
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