Cabra Geeki
Variedades29 de abril de 20267 min de leitura

Roger Sweet, criador do He-Man, morre antes de novo filme

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Roger Sweet, nome central na criação do He-Man, morreu aos 91 anos e deixa um legado que vai muito além dos brinquedos dos anos 80

Roger Sweet, criador do He-Man, morre antes de novo filme

Roger Sweet, designer de brinquedos creditado como uma das figuras centrais na criação de He-Man, morreu aos 91 anos na terça-feira, 28 de abril de 2026. A informação foi confirmada por sua esposa, Marlene Sweet, ao TMZ, e repercutida por veículos internacionais como Forbes, The Independent e Page Six. Sweet vinha enfrentando demência e passou seus últimos meses em uma unidade de cuidados especializados.

A morte chega em um momento simbólico para a franquia. Mestres do Universo, novo filme live-action baseado no universo de He-Man, chega aos cinemas em junho de 2026, com Nicholas Galitzine como Príncipe Adam, Jared Leto como Esqueleto e Idris Elba como Duncan. Nos Estados Unidos, a estreia está marcada para 5 de junho. No Brasil, redes exibidoras já listam o lançamento para 4 de junho de 2026.

É aquele tipo de coincidência amarga que a cultura pop produz às vezes: o homem que ajudou a dar forma a um dos maiores ícones infantis dos anos 80 parte poucas semanas antes de He-Man voltar às telonas.

Marlene (esposa) e Roger Sweet

Quem foi Roger Sweet

Roger Sweet trabalhou na Mattel durante os anos 1970 e 1980, período em que a empresa buscava uma nova linha de ação para meninos depois de perder a explosão comercial de Star Wars para a Kenner. Sweet fazia parte do departamento de design preliminar da Mattel e, segundo seu próprio relato no livro Mastering the Universe: He-Man and the Rise and Fall of a Billion-Dollar Idea, apresentou a ideia de um herói musculoso, genérico o suficiente para caber em várias fantasias de aventura.

A história mais famosa envolve três protótipos conhecidos como o He-Man Trio: um guerreiro bárbaro, um soldado e um herói espacial. Eles teriam sido montados a partir de figuras modificadas da linha Big Jim, com massa e alterações físicas para criar uma presença mais poderosa. A versão bárbara acabou servindo como base para o personagem que o mundo conheceria como He-Man.

Esse ponto, porém, precisa de cuidado. A criação de Mestres do Universo nunca foi obra de uma única pessoa isolada. O nome de Sweet aparece com força por causa da concepção inicial, da defesa do conceito e do próprio nome He-Man. Mas a estética final da franquia também deve muito a Mark Taylor, responsável por desenhos fundamentais de personagens e pelo visual que muitos fãs reconhecem como a alma original da linha. Outros nomes, como Donald F. Glut, também ajudaram a expandir a mitologia nas primeiras histórias em minicomics.

Em português simples: Roger Sweet foi peça essencial. Mas He-Man nasceu de um processo coletivo dentro da Mattel.

He-Man

Por que He-Man funcionou tão bem

O genial em He-Man era a simplicidade. Ele comunicava força antes mesmo de qualquer criança entender a mitologia de Eternia. O corpo exagerado, a espada, o castelo, o vilão com visual inesquecível e a mistura de fantasia medieval com ficção científica formavam um pacote imediato. Não precisava de manual longo. A criança batia o olho e entendia: esse sujeito tem poder.

Essa talvez seja a grande contribuição de Sweet. Ele pensava como designer de produto. He-Man precisava funcionar na prateleira, na mão da criança e na imaginação. O personagem não nasceu primeiro como filme, série ou quadrinho. Nasceu como brinquedo. Depois ganhou mundo.

A série animada de 1983 transformou essa base em fenômeno. He-Man and the Masters of the Universe virou uma das marcas mais reconhecíveis da década, impulsionou vendas, expandiu personagens, fortaleceu a Mattel e ajudou a consolidar um modelo que hoje parece natural: brinquedo, desenho, quadrinho, filme, produto licenciado e nostalgia trabalhando juntos.

Antes de muito universo compartilhado moderno, He-Man já era multimídia na prática.

O lado triste dos últimos meses

A morte de Roger Sweet também expõe uma parte menos glamourosa da indústria. Segundo Marlene Sweet, ele sofreu uma queda, teve hemorragias cerebrais detectadas e foi encaminhado para uma unidade de cuidados de memória, com custos superiores a US$ 10 mil por mês. Como o valor não era coberto pelo Medicare, ela criou uma campanha no GoFundMe para ajudar nas despesas.

A campanha ultrapassou US$ 93 mil em doações, com apoio de fãs que cresceram com He-Man e quiseram retribuir de alguma forma. Segundo o Page Six, a Mattel Foundation também contribuiu com US$ 5 mil.

Esse detalhe dói porque mostra um contraste enorme. Estamos falando de alguém ligado à origem de uma franquia bilionária, mas que nos últimos meses dependeu da mobilização de fãs para custear cuidados básicos. Não é uma história exclusiva de Sweet. A cultura pop está cheia de criadores, artistas, roteiristas, designers e animadores que ajudaram a construir mundos gigantescos sem receber, no fim da vida, algo proporcional ao impacto que tiveram.

O legado de Roger Sweet em 2026

He-Man continua vivo porque nasceu de uma ideia muito forte: fantasia de poder com cara de brinquedo perfeito. O personagem já passou por desenhos clássicos, reboots, quadrinhos, filmes, colecionáveis e releituras para públicos diferentes. Algumas versões deram certo. Outras nem tanto. Mas o núcleo permanece reconhecível.

Em 2026, com um novo filme chegando, o nome de Roger Sweet volta a circular para além do fandom mais dedicado. Isso é saudável. Não para transformar sua trajetória em lenda sem nuance, mas para lembrar que grandes personagens também nascem de salas de reunião, protótipos, disputa de crédito, pressão comercial e gente tentando inventar o próximo sucesso antes que o mercado mude de novo.

He-Man pode ser lembrado pelo grito de poder, pelo Castelo de Grayskull e pela batalha contra Esqueleto. Mas antes de virar tudo isso, ele foi uma aposta de design. Foi alguém pegando um boneco existente, enchendo de volume, empurrando um conceito e tentando convencer uma empresa de que crianças queriam um herói maior que a vida.

Roger Sweet não criou sozinho tudo o que Mestres do Universo se tornou. Mas ajudou a acender a faísca. E, para uma franquia que atravessou mais de quatro décadas, isso já é um legado imenso.

FAQ

P: Quem foi Roger Sweet?
R: Roger Sweet foi um designer de brinquedos da Mattel, creditado como uma das figuras centrais na criação de He-Man e da linha Masters of the Universe.

P: Roger Sweet morreu quando?
R: Ele morreu em 28 de abril de 2026, aos 91 anos, em uma unidade de cuidados especializados. Sua esposa, Marlene Sweet, confirmou a morte ao TMZ.

P: Roger Sweet criou He-Man sozinho?
R: Não exatamente. Sweet teve papel essencial na concepção inicial e no nome He-Man, mas a franquia também deve muito a Mark Taylor e a outros criadores envolvidos no desenvolvimento visual e narrativo da linha.

P: O que era o He-Man Trio?
R: Era um conjunto de três protótipos apresentados por Roger Sweet à Mattel: um bárbaro, um soldado e um herói espacial. A versão bárbara serviu como base para o He-Man que chegou às lojas.

P: O novo filme de He-Man estreia quando?
R: Nos Estados Unidos, Mestres do Universo estreia em 5 de junho de 2026. No Brasil, redes exibidoras listam a estreia para 4 de junho de 2026.

P: Por que Roger Sweet é tão importante para a cultura pop?
R: Porque ele ajudou a criar a base de um personagem que virou desenho, quadrinho, filme, brinquedo e memória afetiva para várias gerações. He-Man é um dos maiores exemplos de franquia nascida do mercado de brinquedos e transformada em mito pop.

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