Artigo por
Ítalo Cunha
Primeiro longa do anime ganha lançamento nacional em setembro, com dublagem inédita e curta especial de Jango na sessão

A fase “ninguém mais segura One Piece no Brasil” ganhou mais um capítulo curioso. One Piece: O Filme, primeiro longa derivado do anime da Toei Animation, será lançado nos cinemas brasileiros em 17 de setembro de 2026 pela Paris Filmes. A novidade chama atenção por um motivo bem específico: o filme é de 2000, mas chega agora pela primeira vez às telonas nacionais, com dublagem inédita em português brasileiro.
O calendário de estreias da Filme B lista o longa com o título One Piece: O Grande Pirata do Ouro!, enquanto o anúncio divulgado pela Paris Filmes foi repercutido pelo O Vício com o nome One Piece: O Filme. A sessão também incluirá o curta Carnaval de Dança do Jango, uma escolha que transforma a exibição em um pacote bem voltado para quem tem carinho pelo começo da jornada dos Chapéus de Palha.
Lançado originalmente no Japão em 4 de março de 2000, One Piece: O Filme nasceu quando a adaptação em anime ainda estava bem no início. Estamos falando de uma história situada entre os arcos de Vila Syrup e Baratie, antes da entrada de Sanji no bando. Ou seja, o foco está naquele núcleo inicial com Luffy, Zoro, Nami e Usopp ainda vivendo aventuras mais simples, mais diretas e com aquele clima de East Blue raiz.
Na trama, os Chapéus de Palha cruzam caminho com um trio de ladrões e acabam se envolvendo com Eldoraggo, um pirata obcecado por ouro e usuário de Akuma no Mi. O vilão está atrás da ilha onde o lendário Capitão Woonan teria escondido um tesouro gigantesco. No meio dessa caçada, Luffy e companhia se aliam a personagens ligados ao passado de Woonan para enfrentar os Piratas Eldoraggo e descobrir o que existe por trás da lenda.
O filme tem cerca de 50 minutos, direção de Atsuji Shimizu e roteiro de Michiru Shimada. Não é canônico, então não precisa ser tratado como peça obrigatória para entender a história principal. Mas ele funciona como uma cápsula do tempo muito honesta de One Piece antes da franquia virar esse monstro global com mais de mil episódios, live-action na Netflix, remakes planejados e uma presença absurda no streaming.
A chegada desse filme aos cinemas brasileiros diz menos sobre “novidade” e mais sobre reconhecimento. Durante muito tempo, One Piece teve uma relação esquisita com o Brasil. A obra era gigante no Japão e em várias partes do mundo, mas por aqui enfrentou uma entrada torta, marcada pela versão censurada da 4Kids, exibição incompleta na TV aberta e uma percepção injusta de que o anime “não pegava” como Dragon Ball, Naruto ou Cavaleiros do Zodíaco.
Isso mudou. A redublagem, a força da Netflix, a presença na Crunchyroll, o sucesso do live-action e o crescimento da comunidade brasileira reposicionaram a franquia. Hoje, lançar um filme de 2000 nos cinemas não parece uma aposta maluca. Parece um movimento para atender uma base que finalmente ficou grande o suficiente para justificar esse tipo de sessão.
E tem outro ponto bom aqui: dublagem inédita. One Piece no Brasil ganhou uma identidade vocal forte nos últimos anos, principalmente com Carol Valença como Luffy e o trabalho da UniDub na redublagem da série. Ainda não foram detalhados todos os créditos dessa nova versão do longa, mas a simples decisão de lançar dublado mostra que a distribuidora não está tratando isso como sessão jogada para nicho minúsculo. Está mirando público de anime que vai ao cinema, chama amigo, posta ingresso e transforma nostalgia em evento.
A sessão terá ainda Carnaval de Dança do Jango, curta musical estrelado pelo hipnotizador Jango. Esse extra tem uma energia completamente diferente do longa principal: é mais brincadeira, mais dança, mais caos visual e menos aventura tradicional.
Para quem acompanha One Piece só pela trama principal, pode parecer uma escolha aleatória. Mas ela combina muito com o espírito antigo da franquia. Antes de One Piece virar sinônimo de guerra mundial, século perdido, Governo Mundial, Yonkou e teorias capazes de fritar o juízo de qualquer ser humano, a obra também era sobre personagens esquisitos fazendo coisas ridículas em ilhas ainda mais estranhas. E Jango é exatamente esse tipo de figura.
O curta também ajuda a dar mais corpo à sessão, já que o filme principal é curto para os padrões de cinema atuais. Juntos, longa e extra criam uma experiência mais próxima de “programa especial de fã” do que de estreia convencional.
Se você espera uma superprodução no nível de One Piece Film: Red, talvez seja melhor ajustar a expectativa. O filme de 2000 é simples, direto e visualmente ligado à fase inicial do anime. Ele não tem a escala de Stampede, o peso emocional de Red ou a ambição de Strong World. É um produto de outro momento da franquia.
Mas é justamente aí que mora o charme. Esse longa mostra One Piece antes da grandiosidade tomar conta de tudo. O Luffy ainda parece um garoto impossível de segurar, Zoro ainda carrega aquela aura de caçador de piratas seco e bruto, Nami vive sua relação de amor eterno com dinheiro, e Usopp segue sendo o rei do desespero criativo. É East Blue em estado puro.
Para fãs antigos, a sessão tem valor de memória. Para fãs novos, pode ser uma chance de ver como a franquia se apresentava no começo, quando tudo ainda era menor, mais colorido e menos carregado de mitologia. E para quem gosta de dublagem brasileira, a estreia tem um atrativo extra: ouvir um material antigo finalmente localizado para o nosso público.
No fim, One Piece: O Filme chegando aos cinemas em 2026 é uma daquelas notícias pequenas que dizem muita coisa. A franquia cresceu tanto no Brasil que agora até um longa de 26 anos atrás ganha espaço na tela grande. Não é só relançamento tardio. É sinal de que o navio de Luffy, por aqui, finalmente encontrou vento a favor.
FAQ
Quando One Piece: O Filme estreia nos cinemas brasileiros?
One Piece: O Filme estreia nos cinemas brasileiros em 17 de setembro de 2026. A distribuição nacional será da Paris Filmes.
O filme de One Piece de 2000 terá dublagem em português?
Sim. O lançamento brasileiro terá dublagem inédita em português brasileiro.
One Piece: O Filme é canônico?
Não. O longa tem uma história original não-canônica, situada entre os arcos de Vila Syrup e Baratie.
Qual curta será exibido junto com One Piece: O Filme?
A sessão incluirá o curta Carnaval de Dança do Jango, estrelado pelo personagem Jango.
Preciso assistir ao anime inteiro para entender esse filme?
Não. Como o longa se passa no começo da jornada, basta conhecer o básico: Luffy quer se tornar o Rei dos Piratas e viaja com seus primeiros companheiros pelo East Blue.
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