Artigo por
Ítalo Cunha
The Curse of the Serpent encerra a trilogia cinematográfica do anime com um mistério ligado à origem do Ōoku

O anime mais estranho, elegante e desconfortável sobre espíritos do Japão está prestes a concluir sua primeira trilogia cinematográfica. Mononoke The Movie: Chapter III, The Curse of the Serpent chega globalmente à Netflix em 29 de setembro de 2026, incluindo o Brasil.
O lançamento coloca o capítulo final da saga ao alcance de um público muito maior, depois de uma passagem pelos cinemas japoneses em maio. Para quem acompanha o projeto desde The Phantom in the Rain, a espera finalmente está perto do fim. Para quem nunca ouviu falar da obra, a Netflix oferece uma oportunidade rara de conhecer uma produção que trata o terror como investigação psicológica, crítica social e experiência visual.
A trilogia cinematográfica começou em 2024 com Mononoke The Movie: The Phantom in the Rain. Em 2025, a história continuou com The Ashes of Rage, também conhecido no Japão como Hinezumi. O terceiro filme, chamado originalmente de Hebigami, encerra a saga ambientada no Ōoku, o espaço reservado às mulheres dentro do palácio imperial.
O site oficial descreve o longa como o capítulo final da trilogia. A narrativa começa depois dos acontecimentos dos dois filmes anteriores, quando uma aparente tranquilidade volta ao palácio. O problema é que o Vendedor de Remédios continua sentindo a presença de algo sobrenatural.
A situação piora após a morte do herdeiro imperial. Enquanto o palácio tenta esconder suas feridas, terremotos começam a atingir o local, escamas triangulares aparecem misteriosamente e mulheres são atacadas por uma criatura com a forma de uma serpente gigante.
O monstro é o chamado Serpente Divina, um Mononoke ligado a um segredo enterrado há 150 anos. A origem do Ōoku, a crença em uma entidade conhecida como Mizusama e uma sequência de crimes cometidos no passado se conectam em uma trama que promete revelar a história mais antiga daquele ambiente. A sinopse oficial apresenta o mistério e confirma que o terceiro filme encerra a trilogia.
A primeira coisa que chama atenção é o visual. Mononoke parece uma pintura japonesa em movimento, mas também utiliza computação gráfica, texturas que lembram papel artesanal, cores muito intensas e enquadramentos que fogem completamente do padrão mais comum da animação comercial.
A estética não está ali apenas para enfeitar a tela. Ela ajuda a expressar o estado emocional dos personagens. Cores vibrantes podem esconder violência, cenários bonitos podem transmitir sufocamento e movimentos exagerados podem representar a ruptura da realidade.
O anime também não depende de sustos repentinos. O medo nasce da espera, da repetição e da sensação de que existe alguma coisa errada em um lugar que deveria parecer organizado.
O Vendedor de Remédios não chega para simplesmente destruir o monstro. Antes de sacar a Espada de Exorcismo, ele precisa descobrir três elementos: Forma, Verdade e Razão. Em outras palavras, é necessário entender o que o espírito é, o que aconteceu e por que aquela entidade nasceu.
Esse formato transforma cada caso em uma investigação. O Mononoke não é apenas uma criatura sobrenatural. Ele é o resultado de uma emoção humana intensa que encontrou um espírito e se tornou algo perigoso. A Netflix explica que a série trabalha com aparições formadas pela união entre emoções humanas e entidades sobrenaturais.
A escolha de uma serpente como criatura central do capítulo final não parece gratuita. Dentro de muitas tradições culturais, a serpente pode representar renovação, conhecimento, traição, fertilidade e perigo. Em Mononoke, esse símbolo ganha uma camada política.
O Ōoku funciona como uma instituição que promete proteger a linhagem imperial, mas também controla os corpos, as decisões e os desejos das mulheres que vivem ali. O segredo que sustenta sua existência pode ser interpretado como uma dívida histórica.
A criatura não surge simplesmente porque alguém morreu. Ela nasce de uma cadeia de violência, silêncio e manipulação. Essa é uma das características mais interessantes da obra: o sobrenatural raramente é o verdadeiro culpado. O fantasma aparece porque pessoas reais criaram as condições para que ele existisse.
A ameaça do terceiro filme pode ser lida como uma espécie de memória coletiva voltando para cobrar o preço de uma estrutura construída sobre sofrimento. O Mononoke não invade o palácio de fora para dentro. Ele emerge de dentro da própria instituição.
Essa abordagem aproxima a obra de histórias como O Farol, A Bruxa e alguns contos de Shirley Jackson, nos quais o horror está ligado à repressão, à culpa e ao isolamento. A diferença é que Mononoke transforma esses conceitos em uma linguagem visual inspirada no teatro tradicional e nas artes japonesas.
Um detalhe importante para quem está acostumado a franquias tradicionais é que o Vendedor de Remédios não funciona como um protagonista convencional. Ele não possui uma jornada de crescimento linear, não revela todos os seus sentimentos e não precisa ocupar o centro emocional de cada história.
O que importa é o caso que ele encontra e as pessoas envolvidas nele. O personagem aparece como uma figura quase sobrenatural, um observador que atravessa ambientes dominados por mentiras e ressentimento.
Por isso, o terceiro filme não precisa ser entendido apenas como uma sequência de batalhas. O interesse está em acompanhar o desmanche de uma versão oficial da história. O palácio construiu sua própria narrativa sobre o passado, mas os espíritos carregam uma versão diferente.
Essa estrutura pode afastar quem espera um anime de horror com ação constante. Ao mesmo tempo, é justamente o que torna Mononoke tão singular. A obra não trata a violência como espetáculo isolado. Ela quer saber quem se beneficiou dela, quem foi silenciado e qual emoção continua presa ao acontecimento.
A trilogia mantém Kenji Nakamura como diretor geral, enquanto Tomoaki Koshida assume a direção do terceiro capítulo. O roteiro é assinado por Yasumi Atarashi, com design de personagens de Kitsuneko Nagata e música de Taku Iwasaki.
Hiroshi Kamiya retorna como a voz do Vendedor de Remédios. O elenco também reúne Atsumi Tanezaki, Miyu Irino, Kenjiro Tsuda, Tomoyo Kurosawa, Yoko Hikasa e Haruka Tomatsu, entre outros nomes conhecidos da dublagem japonesa. A página oficial reúne a equipe e o elenco do capítulo final.
A produção faz parte da tentativa de levar uma obra de nicho para um formato cinematográfico mais ambicioso. O primeiro longa teve sessões prolongadas no Japão e os dois primeiros filmes receberam reconhecimento internacional, incluindo prêmios do público no Festival Internacional de Cinema Fantasia, no Canadá. O site oficial destaca a recepção dos dois capítulos anteriores e a evolução visual do projeto.
O risco, claro, está na duração. Uma história pensada para episódios pode respirar com mais calma. Um filme precisa organizar suas pistas, desenvolver seus conflitos e entregar uma conclusão em pouco tempo. Se o roteiro exagerar na quantidade de segredos, o resultado pode ficar mais confuso do que misterioso.
Por outro lado, o formato cinematográfico também permite uma experiência visual mais concentrada. Mononoke é uma obra que pode ganhar força quando assistida sem interrupções, com som e imagem capazes de criar uma atmosfera imersiva.
O ideal é assistir aos dois primeiros filmes antes do terceiro. The Phantom in the Rain apresenta a nova fase da franquia e coloca o Vendedor de Remédios dentro do Ōoku. The Ashes of Rage amplia os conflitos políticos e emocionais daquele espaço.
Ainda assim, a estrutura de Mononoke permite acompanhar o terceiro longa sem conhecer todos os detalhes anteriores. O público entenderá que existe uma ameaça sobrenatural ligada ao palácio e que o protagonista precisa descobrir sua origem.
Para uma experiência mais completa, a ordem recomendada é:
A série original nasceu do arco Bakeneko, exibido em 2006 dentro da antologia Ayakashi: Samurai Horror Tales. No ano seguinte, o Vendedor de Remédios ganhou seu próprio anime. A produção se tornou uma obra cult por unir folclore japonês, horror psicológico e uma identidade visual difícil de confundir com qualquer outra. A Netflix confirma essa origem dentro de Ayakashi.
Mononoke The Movie: Chapter III, The Curse of the Serpent estreia globalmente na Netflix em 29 de setembro de 2026. Como o anúncio fala em lançamento mundial, a produção deve ficar disponível no catálogo brasileiro na mesma data, embora o horário exato possa variar conforme a plataforma.
Os dois filmes anteriores também estão disponíveis na Netflix, o que facilita uma maratona antes da conclusão. A série original pode aparecer em catálogos diferentes conforme a região e o período de licenciamento, por isso é recomendável consultar a plataforma no momento da publicação.
A chegada do capítulo final ao streaming pode ser o momento mais importante da franquia fora do Japão. Mononoke nunca precisou se tornar um anime popular para provar seu valor. Mas agora terá a chance de alcançar pessoas que talvez nunca entrassem em uma sala de cinema para assistir a uma animação tão incomum.
Se o público der uma chance, pode descobrir que o maior monstro da história não é a serpente. É tudo aquilo que uma sociedade decide esconder até que o passado encontre uma forma para voltar.
P: Quando o terceiro filme de Mononoke chega à Netflix?
R: Mononoke The Movie: Chapter III, The Curse of the Serpent estreia globalmente na Netflix em 29 de setembro de 2026. O lançamento deve incluir o catálogo brasileiro.
P: Qual é a história do terceiro filme?
R: A trama acompanha o Vendedor de Remédios diante de uma criatura chamada Serpente Divina. O mistério envolve a morte do herdeiro imperial, terremotos no palácio e um segredo ligado à origem do Ōoku.
P: Preciso assistir aos dois filmes anteriores?
R: Não é obrigatório, mas a experiência fica mais completa ao assistir The Phantom in the Rain e The Ashes of Rage antes. Os dois filmes ajudam a entender as regras do sobrenatural e os conflitos dentro do palácio.
P: O terceiro filme é o último de Mononoke?
R: Ele encerra a trilogia cinematográfica iniciada em 2024. A série original e os filmes podem ganhar novos projetos no futuro, mas não existe confirmação de uma quarta produção cinematográfica.
P: Onde assistir à série original de Mononoke?
R: A disponibilidade pode variar conforme o país e os contratos de licenciamento. A Netflix oferece os dois primeiros filmes da trilogia, enquanto a série original pode estar disponível em plataformas diferentes no Brasil.
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