Cabra Geeki
Animes/Mangás6 de maio de 20269 min de leitura

MAO anime na Disney+: por que a obra divide opiniões agora

Ítalo Cunha

Artigo por

Ítalo Cunha

@cabrageeki

MAO anime na Disney+ tem mistério, terror leve e cheiro de Inuyasha, mas seus 5 episódios mostram uma obra menos óbvia do que parece

MAO anime na Disney+: por que a obra divide opiniões agora

O MAO anime na Disney+ chegou meio quieto, quase escondido entre lançamentos maiores, mas já merece uma conversa mais afiada. Com 5 episódios disponíveis neste momento, a nova adaptação da obra de Rumiko Takahashi não é só “o novo anime da criadora de Inuyasha”. Ela é uma mistura curiosa de nostalgia, terror sobrenatural, investigação e repetição consciente de fórmulas antigas. E é justamente aí que mora a polêmica: MAO parece familiar demais para ser ignorado, mas estranho demais para ser tratado como simples cópia.

Rumiko Takahashi

Do que se trata MAO

MAO acompanha Nanoka Kiba, uma estudante do ensino fundamental que sobreviveu, ainda criança, a um acidente terrível no Distrito Comercial Gogyo, onde seus pais morreram. Anos depois, ela volta ao local e atravessa um portal que a leva para a era Taisho, período japonês entre 1912 e 1926. Lá, Nanoka encontra Mao, um onmyoji misterioso que vive há 900 anos por causa de uma maldição.

A partir desse encontro, a obra começa a brincar com dois mundos: o Japão moderno de Nanoka e uma versão sombria da era Taisho, cheia de ayakashi, crimes estranhos, cultos, maldições e segredos ligados ao passado. Mao suspeita que Nanoka não é exatamente humana, ou pelo menos não da forma que ela imaginava. E a jovem descobre que sua sobrevivência no acidente pode ter relação com Byoki, um demônio gato ligado à maldição de Mao.

O anime é produzido pela Sunrise, mesmo estúdio que animou Inuyasha, e estreou em 4 de abril de 2026 na NHK General TV no Japão. Pela distribuição da VIZ Media, a série chegou ao Hulu nos Estados Unidos e ao Disney+ em mercados como América Latina, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. No Brasil, isso coloca MAO dentro do Disney+, em uma temporada programada para dois cours consecutivos.

Ponto de vista 1: MAO é quase Inuyasha de novo, e isso incomoda

Vamos falar sem fazer cosplay de diplomata: se MAO não fosse de Rumiko Takahashi, muita gente estaria acusando a obra de copiar Inuyasha com uma cara lavada. Temos uma garota moderna indo parar no passado, um rapaz misterioso ligado ao sobrenatural, criaturas perigosas, poderes despertando, maldição antiga e uma dupla central que começa mais estranha do que confortável.

Inuyasha e Mao

A comparação é inevitável. Anime Feminist também apontou essa semelhança logo no primeiro episódio, e não dá para fugir dela. A estrutura básica grita Inuyasha. Só que existe uma diferença entre uma autora repetir vício e uma autora revisitar território próprio com outro tipo de maturidade. MAO não tem a aventura romântica e grandiosa de Kagome e Inuyasha. Ele parece mais seco, mais investigativo, mais sombrio.

Isso pode afastar quem esperava aquela energia de shonen noventista com romance, comédia e gritaria emocional. MAO é menos “vamos juntar fragmentos e atravessar o Japão feudal” e mais “tem algo errado no tecido do tempo, no corpo dessa garota e na memória dessa cidade”. Para alguns, isso será uma evolução. Para outros, vai soar como Rumiko fazendo fanfic séria de si mesma. As duas leituras são defensáveis.

Ponto de vista 2: a melhor parte de MAO é o clima de mistério, não a ação

Até o episódio 5, MAO funciona melhor quando aceita seu lado de investigação sobrenatural. O primeiro episódio apresenta Nanoka entrando na era Taisho pelo portal do Distrito Comercial Gogyo e sendo atacada por um ayakashi. Mao a salva, mas logo solta a pergunta que vira gancho da série: ela seria também uma criatura sobrenatural?

No episódio 2, Nanoka começa a lembrar do monstro visto no acidente da infância, enquanto Mao investiga os chamados incidentes de decapitação, possivelmente ligados a Byoki. O episódio 3 aprofunda a suspeita de que Nanoka foi amaldiçoada pelo sangue desse demônio gato quando criança, já que ela toca a espada Hagunsei no Tachi e não morre, algo que deveria acontecer com qualquer pessoa comum.

No episódio 4, a trama entra em uma pegada de culto. Nanoka e Otoya se infiltram na organização Shorinkyo, buscando pistas sobre manipulação de tempo de vida, mas acabam presos no porão pela líder Shoko. Já o episódio 5 leva Mao e Otoya a investigarem terremotos frequentes em Gogyo-cho, na era Taisho, depois que uma mansão ocidental e uma igreja aparecem onde deveria estar o local sagrado da pedra Kaname-ishi, usada para acalmar abalos sísmicos.

Percebe o padrão? MAO está montando pequenos casos com cheiro de lenda urbana, folclore japonês e crime ocultista. Isso aproxima a obra de animes como xxxHolic, Noragami, Dark Gathering e, em alguns momentos, Natsume Yuujinchou, embora MAO seja mais sombrio e menos contemplativo. Quem entra esperando pancadaria estilo Jujutsu Kaisen talvez ache tudo contido demais. Quem gosta de mistério com atmosfera, vai ter onde se agarrar.

Ponto de vista 3: a Disney+ tem uma joia de nicho, mas pode estar escondendo ouro

Aqui entra uma crítica mais ampla. MAO estar no Disney+ é ótimo para acesso legal no Brasil, mas também revela um problema da plataforma com anime: ela tem títulos interessantes, só que muitas vezes não sabe transformá-los em conversa. Enquanto Crunchyroll e Netflix já criaram uma cultura mais clara de anime dentro de suas vitrines, o Disney+ ainda parece tratar algumas obras como “conteúdo que entrou no catálogo”. Aí fica difícil criar evento.

MAO precisava de mais barulho. Não por ser perfeito, mas por carregar um nome histórico. Rumiko Takahashi é uma das autoras mais importantes do mangá, criadora de Urusei Yatsura, Ranma 1/2 e Inuyasha. Segundo a Oricon, a adaptação de MAO também completou um marco curioso: todas as obras seriadas de Takahashi na Weekly Shonen Sunday já ganharam anime. Isso não é pouca coisa. É história do mangá moderno acontecendo na nossa frente, e a divulgação por aqui parece tímida.

O público-alvo de MAO não é exatamente o adolescente que só quer sakuga explodindo a tela a cada três minutos. A obra mira quem cresceu com Inuyasha, quem gosta de folclore japonês, quem curte mistério sobrenatural e quem aceita um ritmo mais clássico. Também pode fisgar fãs de Demon Slayer pela ambientação na era Taisho, mas é bom avisar: MAO não tem a mesma agressividade visual nem o melodrama de batalha da obra de Tanjiro. Ele joga outro jogo.

Curiosidades que deixam MAO mais interessante

A primeira curiosidade forte é a volta da Sunrise ao universo de Rumiko Takahashi depois de Inuyasha. Isso cria uma ponte sentimental óbvia para quem acompanhou a saga nos anos 2000. Não é só “mesma autora”. Tem também uma herança visual e produtiva passando por ali.

Outra coisa boa é a escolha da era Taisho. Muitos animes exploram o Japão feudal, outros vão para o presente ou para mundos de fantasia. MAO fica em um meio-termo histórico bem interessante, com modernização, influência ocidental, crenças antigas e tensão urbana convivendo no mesmo espaço. O episódio 5 usa isso bem ao colocar uma igreja onde deveria existir um ponto sagrado japonês ligado aos terremotos. É uma imagem simples, mas cheia de conflito simbólico.

Também chama atenção a longevidade do mangá. MAO começou em 2019 na Weekly Shonen Sunday e já chegou ao volume 28 no Japão em abril de 2026, publicado pela Shogakukan. Ou seja, o anime tem bastante material para adaptar. Se a série encontrar público, existe estrada para muito mais do que uma temporada esquecida.

Para quem MAO é indicado

MAO combina com quem gosta de Inuyasha, mas aceita uma versão menos romântica e mais investigativa. Também deve agradar quem curte animes como Noragami, xxxHolic, Dark Gathering, Kyokou Suiri, Natsume Yuujinchou e até Demon Slayer, desde que a pessoa entenda que aqui o foco não está em lutas grandiosas o tempo todo.

Não recomendo MAO para quem quer ritmo frenético, humor constante ou protagonista gritando objetivo de vida a cada episódio. A série trabalha mais com estranhamento, caso sobrenatural e revelação gradual. Ela tem ação, mas não parece desesperada para viralizar em corte de TikTok. E, sinceramente, isso já dá um certo charme.

Minha opinião forte é esta: MAO não será o anime mais popular da temporada, mas talvez seja um dos mais injustiçados se o público tratar ele apenas como “Inuyasha 2”. A obra repete estruturas conhecidas, sim. Às vezes até demais. Mas dentro dessa repetição existe uma autora veterana testando outro tom, menos aventureiro e mais macabro. Não é revolução. É feitiço antigo com cheiro novo.

Com 5 episódios disponíveis, MAO ainda está montando suas peças. A série precisa provar que suas respostas serão tão boas quanto seus mistérios, porque mistério sem pagamento vira calote narrativo. Mas a largada tem personalidade, folclore, atmosfera e uma protagonista cuja própria identidade virou bomba-relógio. Para quem gosta de anime sobrenatural com cara de sessão da meia-noite, vale embarcar. Só não entre esperando fogos de artifício o tempo todo. MAO prefere acender uma vela no corredor escuro e deixar você ouvir o barulho vindo do outro lado.

FAQ

P: MAO está disponível no Disney+ Brasil?
R: Sim. MAO está disponível no Disney+ na América Latina, incluindo o Brasil, por meio da distribuição da VIZ Media. Neste momento, em 6 de maio de 2026, há 5 episódios disponíveis.

P: MAO é da mesma criadora de Inuyasha?
R: Sim. MAO é obra de Rumiko Takahashi, autora de Inuyasha, Ranma 1/2, Urusei Yatsura e outras séries clássicas. A comparação com Inuyasha é inevitável, mas MAO aposta mais em mistério, maldição e clima sombrio.

P: Sobre o que é o anime MAO?
R: A história acompanha Nanoka Kiba, uma garota do presente que atravessa um portal para a era Taisho e encontra Mao, um onmyoji amaldiçoado há 900 anos. Juntos, eles investigam criaturas sobrenaturais, crimes estranhos e a conexão entre suas maldições.

P: Quantos episódios terá MAO?
R: A primeira temporada foi anunciada para dois cours consecutivos, com exibição iniciada em abril de 2026 no Japão. Isso indica uma temporada mais longa do que o padrão de 12 episódios.

P: MAO parece com quais animes?
R: MAO lembra Inuyasha pela garota moderna viajando ao passado e pela presença de criaturas sobrenaturais. Também pode agradar fãs de Noragami, xxxHolic, Dark Gathering, Natsume Yuujinchou e Demon Slayer, especialmente pela ambientação na era Taisho.

P: MAO vale a pena assistir?
R: Vale, principalmente para quem gosta de fantasia sombria, folclore japonês e mistérios sobrenaturais. Se você procura ação acelerada e batalhas gigantes em todo episódio, talvez a série pareça lenta. Mas se curte atmosfera e investigação, os 5 primeiros capítulos mostram bastante potencial.

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