Artigo por
Ítalo Cunha
Conheça mangás que vão virar anime em 2026 e 2027, de Kagurabachi a The One Piece, e entenda quais podem virar febre sem cair no hype vazio

A próxima leva de mangás que vão virar anime em 2026 e 2027 chega com uma pressão meio injusta nas costas. Antes mesmo da estreia, parte da internet já quer saber qual deles será “o novo Demon Slayer”, “o novo Jujutsu Kaisen” ou “o anime que vai dominar o TikTok”. Só que hype demais também atrapalha, porque transforma episódio de estreia em tribunal popular. E, convenhamos, nem toda obra precisa virar fenômeno mundial para ser boa de verdade.
O que chama atenção nessa safra é a variedade. Tem shonen de vingança, ficção científica cyberpunk, remake de franquia gigante, slice of life adulto, clássico dos anos 80 voltando com roupa nova e até romance esquisitão de fumante atrás de supermercado. A indústria entendeu uma coisa simples: o público quer pancadaria bem animada, sim, mas também quer identidade.
Durante muito tempo, adaptar mangá era quase uma etapa natural para obras populares. O mangá vendia bem, ganhava anime, aumentava venda de volumes e todo mundo seguia o baile. Hoje a conversa é mais pesada. Streaming entrou com força, Netflix quer franquia global, Crunchyroll segue tentando ser a casa natural dos otakus, Prime Video começa a mirar títulos grandes e as produtoras japonesas já pensam no público internacional desde o anúncio.
Isso muda o jeito de olhar para essas adaptações. The One Piece, por exemplo, não existe apenas para agradar quem já ama Luffy desde a infância. Ele existe para resolver uma barreira de entrada absurda: mais de mil episódios assustam qualquer pessoa normal que ainda precisa trabalhar, estudar, pagar conta e fingir que tem vida social. Já Kagurabachi nasce em outro extremo, como um mangá que começou no meme e virou candidato real a fenômeno.
A pergunta boa não é “qual desses vai ser o próximo Jujutsu?”. A pergunta melhor é: qual deles entende o próprio público?

Se eu tivesse que apostar em um título com cheiro de assunto dominante, eu iria de Kagurabachi. O anime foi confirmado para abril de 2027, com produção da Cypic, direção de Tetsuya Takeuchi e Chihiro Rokuhira dublado por Taihi Kimura. O mangá de Takeru Hokazono já passou da casa dos 4 milhões de cópias em circulação, um número forte para uma obra que ainda nem estreou na TV.
A premissa é direta e eficiente: Chihiro é filho de um lendário ferreiro de espadas encantadas. Depois que o pai é assassinado pelo grupo de feiticeiros Hishaku e seis lâminas especiais são roubadas, ele parte em busca de vingança usando a última espada que restou. Tem yakuza, magia, sangue, estética sombria e uma energia de “John Wick com katana amaldiçoada” que vende rápido demais na internet.
O risco é a comparação preguiçosa. Se venderem Kagurabachi como “novo Jujutsu”, parte do público já vai entrar procurando outra obra dentro dela. O brilho aqui está em transformar uma fantasia de vingança relativamente simples em espetáculo visual com personalidade. O primeiro episódio precisa vender Chihiro como personagem, não só como boneco estiloso para capa de perfil.

The One Piece estreia em fevereiro de 2027 na Netflix, produzido pela WIT Studio. A primeira temporada terá sete episódios, cerca de 300 minutos no total, adaptando os primeiros 50 capítulos do mangá e cobrindo o começo da saga East Blue. Esse é um dos projetos mais delicados da década, porque mexe com uma memória afetiva gigantesca.
O ponto mais interessante é que o público principal não é o fã antigo. Claro que o fã antigo vai assistir, reclamar, comparar, fazer thread, pausar cena e procurar diferença no cabelo do Shanks. Mas o remake mira quem nunca começou One Piece. É a pessoa que sabe que a obra é importante, conhece o Chapéu de Palha por osmose cultural, mas trava quando descobre o tamanho do anime original.
Se a WIT acertar o ritmo, The One Piece pode virar a porta de entrada definitiva para uma nova geração. A função dele não é apagar a versão da Toei. É criar uma versão mais acessível, mais compacta e mais fácil de recomendar sem precisar dizer: “assiste uns 60 episódios que melhora”. Todo fã de One Piece já falou isso alguma vez. E todo mundo sabe que soa meio criminoso.

Psyren estreia em outubro de 2026, com animação da Satelight, direção de Katsumi Ono e promessa de adaptar o mangá inteiro até o fim. Esse detalhe é ouro. O mangá de Toshiaki Iwashiro foi publicado na Weekly Shonen Jump entre 2007 e 2010, fechou em 16 volumes e passou anos como aquela obra que o fã mais velho citava com um certo rancor: “por que isso nunca virou anime?”.
A história mistura suspense sobrenatural, desaparecimentos, poderes psíquicos e um jogo mortal ligado ao misterioso mundo de Psyren. O apelo está justamente nessa cara de shonen dos anos 2000, com clima de mistério, grupo de personagens forte e progressão que não depende de temporada infinita.
A vantagem de Psyren é ter começo, meio e fim. Não precisa inventar filler, não precisa alongar cena para não alcançar o mangá, não precisa fazer malabarismo. Se o anime respeitar o ritmo da obra, pode virar aquele caso gostoso de redescoberta: uma geração conhecendo agora, enquanto a galera antiga aparece no comentário dizendo “eu avisei”. Todo grupo de anime tem esse fiscal da nostalgia. Às vezes ele está certo.

The Ghost in the Shell estreia no Japão em 7 de julho de 2026, produzido pela Science SARU. E aqui a conversa passa longe de ser só nostalgia. O mangá de Masamune Shirow nasceu em 1989 discutindo corpo, consciência, vigilância, rede, identidade e humanidade em uma sociedade cada vez mais tecnológica. Em 2026, isso parece menos ficção científica e mais notificação de aplicativo.
IA generativa, deepfake, algoritmo decidindo consumo, empresas cruzando dados pessoais e gente discutindo se uma voz clonada ainda “pertence” a alguém. Ghost in the Shell não voltou porque o nome é famoso. Voltou porque a pergunta central ficou assustadoramente cotidiana: o que ainda define uma pessoa quando memória, corpo e informação podem ser manipulados?
O desafio da Science SARU é ingrato. Se copiar demais o imaginário do filme de 1995, muita gente vai chamar de desnecessário. Se mudar demais, a patrulha da essência chega com três parágrafos e uma foto da Major no perfil. A saída talvez seja encarar o mangá original com liberdade visual e nervo contemporâneo. Ghost in the Shell precisa parecer vivo, não preservado em museu.

Hirayasumi está previsto para 2027 e adapta o mangá de Keigo Shinzo. A história acompanha Hiroto Ikuta, um homem de 29 anos sem emprego fixo, sem plano brilhante para o futuro e vivendo em uma casa herdada depois de criar vínculo com uma senhora idosa. Parece pequeno. É aí que mora a força.
A obra fala de ansiedade adulta, luto, amizade, pressão social e aquela sensação de que todo mundo está avançando, menos você. Para um público cansado de protagonista predestinado a salvar o planeta, Hirayasumi pode bater diferente. Às vezes o monstro da semana é a comparação com gente da sua idade que parece ter a vida resolvida no Instagram.
O perigo é vender a obra só como “anime confortável”. Ela até tem delicadeza, mas não é açúcar puro. Hirayasumi cutuca inseguranças reais com uma calma que pode enganar quem espera explosão emocional. Se a adaptação entender esse equilíbrio, tem tudo para formar uma base de fãs pequena no começo, porém muito fiel.

Historie é uma das novidades mais interessantes para janeiro de 2027. Baseado no mangá histórico de Hitoshi Iwaaki, autor de Parasyte, o anime será produzido pela LIDEN FILMS e acompanha Eumenes, figura ligada ao mundo de Alexandre, o Grande. Pode ser uma ótima pedida para quem gosta de Vinland Saga, Kingdom e obras que tratam história como jogo de poder, não como aula decorada.
Smoking Behind the Supermarket with You chega em julho de 2026 e talvez seja a opção mais “vida adulta cansada” da lista. A obra acompanha a relação entre um trabalhador exausto e uma funcionária de supermercado, usando o espaço atrás da loja como ponto de respiro. É romance, mas com cheiro de fim de expediente. Pode parecer simples, só que esse tipo de anime depende muito de direção, silêncio e atuação de voz. Se acertar, vira conforto para adulto quebrado pela semana.
Marriagetoxin já estreou em abril de 2026 na Crunchyroll e merece atenção de quem gosta de premissa doida com execução esperta. É um mangá de ação sobre um assassino especialista em venenos que precisa lidar com casamento, linhagem familiar e uma consultora que bagunça a vida dele. A graça está no contraste entre violência estilizada e pressão social por relacionamento. Parece piada, mas fala de cobrança familiar com uma acidez bem-vinda.
Daemons of the Shadow Realm, de Hiromu Arakawa, também chegou em abril de 2026. Só o nome da autora de Fullmetal Alchemist já coloca expectativa lá em cima, mas o anime precisa provar que não vive apenas da assinatura dela. A obra trabalha gêmeos, entidades sobrenaturais chamadas Tsugai e uma mitologia cheia de segredo. É uma aposta forte para quem gosta de fantasia com regra interna clara e conflito familiar pesado.
Fist of the North Star: Hokuto no Ken retornou em 2026 com nova adaptação e carrega outra missão: apresentar Kenshiro para um público que conhece “omae wa mou shindeiru” como meme, mas talvez nunca tenha visto a obra. É um caso curioso de clássico voltando para disputar atenção com filhos e netos espirituais que ele mesmo ajudou a criar. Sem Hokuto no Ken, muita coisa do shonen de porrada seria diferente.
Steel Ball Run, parte 7 de JoJo’s Bizarre Adventure, já começou em 2026 na Netflix e terá sua segunda etapa no segundo semestre, com novos episódios semanais. Não é um mangá “desconhecido”, nem de longe, mas entra na conversa porque mostra como estratégia de lançamento pode ajudar ou atrapalhar uma adaptação. JoJo sempre viveu de ritmo, estranheza e escalada absurda. Quando a plataforma quebra demais o fluxo, o fandom sente.
O erro de parte da comunidade é transformar expectativa em dívida. Um anime pode ser ótimo sem virar fenômeno mundial. Kagurabachi tem potencial para explodir, The One Piece pode abrir uma porta gigante, Psyren pode surpreender, Ghost in the Shell pode voltar a ser conversa séria sobre tecnologia e Hirayasumi pode conquistar quem só queria se sentir menos perdido na vida.
Também tem outro detalhe: muitos mangás muito comentados ainda não têm anime confirmado. Ichi the Witch, Centuria e outros nomes que aparecem bastante nas apostas da comunidade seguem como desejo, não como fato confirmado até 25 de maio de 2026. E é bom separar as coisas. Torcer é uma coisa. Anunciar como certeza é outra, e aí a internet já faz bagunça suficiente sem nossa ajuda.
Para quem acompanha anime com carinho, 2026 e 2027 prometem uma safra bem mais interessante do que só “mais shonen de batalha”. A graça está justamente no contraste. Um dia você assiste um espadachim movido por vingança, no outro um cara de 29 anos tentando existir sem surtar, depois uma ciborgue questionando a alma e, no fim da semana, um remake tentando convencer seu amigo a finalmente entrar em One Piece. Se isso não é uma agenda otaku variada, eu não sei mais o que é.
O Cabra Geeki também preparou um vídeo especial sobre os 5 mangás com maior potencial para virar assunto nos próximos anos. Se você quiser uma versão mais direta, ranqueada e com aquele tempero de opinião que não passa pano para hype vazio, o vídeo fica logo abaixo desta matéria.
P: Quais mangás vão virar anime em 2026 e 2027?
R: Entre os principais nomes confirmados estão Kagurabachi, The One Piece, Psyren, The Ghost in the Shell, Hirayasumi, Historie, Smoking Behind the Supermarket with You e outros. Alguns já estrearam em 2026, enquanto outros chegam ao longo de 2026 ou em 2027.
P: Quando estreia o anime de Kagurabachi?
R: Kagurabachi está previsto para abril de 2027. A adaptação será produzida pela Cypic e já ganhou trailer, visual oficial e até planos de exibições antecipadas em eventos.
P: The One Piece vai substituir o anime antigo?
R: Não. The One Piece funciona como uma nova adaptação do começo do mangá, feita pela WIT Studio para a Netflix. A ideia é criar uma porta de entrada moderna para novos espectadores, não apagar a versão clássica da Toei.
P: Psyren vai adaptar o mangá inteiro?
R: A promessa divulgada é que o anime de Psyren adapte a história completa do mangá. Isso é um diferencial forte, já que a obra terminou com 16 volumes e não depende de filler para preencher espaço.
P: Qual desses animes tem mais chance de virar fenômeno?
R: Kagurabachi parece o candidato mais forte ao grande hype de 2027, principalmente pelo crescimento orgânico do mangá e pelo histórico de meme virando fandom real. The One Piece, porém, pode ter impacto ainda maior se conseguir conquistar quem nunca teve coragem de começar a franquia.
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