Cabra Geeki
Música16 de abril de 20265 min de leitura

Kirk Hammett revela como o terror moldou o som do Metallica

@cabrageeki

Guitarrista explica conexão entre sua coleção de memorabilia horror e a identidade sonora da banda em entrevista exclusiva.

Kirk Hammett revela como o terror moldou o som do Metallica

Kirk Hammett, guitarrista do Metallica, abriu o jogo sobre uma obsessão que moldou toda a estética da banda: filmes de horror. Em conversa recente com o renomado produtor musical Rick Beato, o músico revelou como sua paixão pelo universo horror, materializada em uma das maiores coleções de memorabilia de terror do planeta, influenciou diretamente a sonoridade pesada, sinistro e visceral que define o Metallica desde seus primórdios.

A jornada de um colecionador obsessivo

Kirk Hammett não é apenas um guitarrista icônico do metal. Ele é um colecionador fervoroso de memorabilia horror que inclui cartazes originais, action figures raras, roteiros e artefatos de clássicos como Frankenstein, The Mummy e A Noite dos Mortos-Vivos. Essa paixão começou na infância, quando o futuro membro do Metallica foi exposto a filmes de monstros clássicos. O que começou como fascínio juvenil se transformou numa coleção multimilionária que Hammett guardava com zelo, tratando cada peça como um tesouro cultural.

A conexão entre Hammett e o horror vai além do simples fã. Em 2022, ele exibiu sua coleção em uma exposição itinerante chamada 'Kirk Hammett's Treasures', permitindo que fãs e curiosos pudessem mergulhar naquele universo que fascina o guitarrista há décadas. Essa dedicação revela muito sobre a mente criativa que está por trás de riffs memoráveis como os de Master of Puppets e One. Para Hammett, o horror não é apenas entretenimento; é uma linguagem visual e emocional que toca profundamente seu processo criativo.

A influência horror na sonoridade do Metallica

Durante a entrevista com Rick Beato, Hammett estabeleceu uma conexão direta entre a atmosfera assustadora dos filmes de horror e o tom sombrio, agressivo e intrigante da música do Metallica. Ouvindo faixas como Creeping Death ou Sad But True, é possível notar como a banda constrói narrativas de tensão, horror psicológico e até mesmo gore lírico que dialogam diretamente com o cinema de monstros e criaturas. Os solos de guitarra de Hammett frequentemente evocam sensações de perigo iminente, desconforto e suspense, elementos que ele absorveu décadas assistindo filmes clássicos de Universal e de diretores como John Carpenter.

A influência é particularmente visível nos álbuns mais sombrios da banda, especialmente em obra-primas como Master of Puppets e ...And Justice for All, onde a estética visual das capas de álbum reforça esse universo obscuro e aterrorizante. Hammett explica que quando cria um solo ou estrutura uma progressão de acordes, ele frequentemente pensa em estabelecer clima, criar antecipação e provocar emoções que ele experimentou ao assistir filmes horror em salas de cinema, técnicas narrativas que traduz para a linguagem musical.

Metal e horror: uma sintonia natural

Embora seja Kirk Hammett quem discuta isso de forma tão explícita, a conexão entre metal e horror é uma constante na história do gênero. Bandas como Black Sabbath, Slayer, Cannibal Corpse e Bathory construíram suas identidades explorando temas de morte, satanismo, violência e terror cósmico. Porém, Hammett oferece uma perspectiva única: sua influência não é teórica ou apenas temática, mas genuinamente visual e emocional, enraizada na experiência imersiva do cinema de horror como arte. Ele não apenas cita o horror; ele coleciona, estuda e vive dentro dele.

A revelação de Hammett ressignifica como compreendemos certos aspectos do Metallica que talvez passassem despercebidos aos ouvidos casuais. Ao entender que o guitarrista estava canalizando a mesma tensão psicológica que diretores como David Cronenberg ou Wes Craven criavam em seus filmes, ouvintes aprofundados ganham nova perspectiva sobre a genialidade compositiva da banda. É um exemplo brilhante de como a cultura pop em suas múltiplas formas se conecta e se alimenta mutuamente.

Relevância para fãs e impacto cultural

Para fãs hardcore do Metallica, essa revelação não é chocante, mas extremamente validadora. Muitos já sentiam a presença do horror na música da banda. Agora, ouvir diretamente de Kirk Hammett como sua coleção de memorabilia, seus conhecimentos cinematográficos e seu amor pelo gênero influenciaram composições clássicas adiciona camadas de apreciação à discografia. É um convite para revisitar álbuns com uma lente de horror, imaginar cenas cinematográficas enquanto se escuta Master of Puppets ou I Disappear.

A conversa também reforça a importância de entender artistas em suas totalidades. Kirk Hammett é mais que o cara que toca guitarra no Metallica; ele é um historiador do horror, um colecionador apaixonado e alguém que transformou uma obsessão pessoal em contribuição cultural duradoura. Para a comunidade geek e metal, isso abre discussões fascinantes sobre como a cultura pop absorve influências de diferentes mídias e como artistas genuinamente obsessivos conseguem traduzir aquela paixão em arte que transcende gerações.

A entrevista com Rick Beato reforça uma verdade que fãs conhecem bem: o Metallica não é apenas uma banda de heavy metal. É o resultado de uma confluência de influências artísticas, culturais e emocionais que viajam por cinema, literatura, viscerabilidade e criatividade pura. Kirk Hammett, ao explicitar sua conexão com o horror, oferece pistas valiosas sobre o porquê de suas composições ressoarem tão profundamente com milhões de pessoas. É simplesmente metal como arte.

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