Artigo por
Ítalo Cunha
Goku Day celebra o herói criado por Akira Toriyama. Relembre 7 momentos de Goku em Dragon Ball e Z que mudaram o shounen para sempre

O Goku Day, comemorado em 9 de maio, existe porque no Japão a data 5/9 pode ser lida como “Go” e “Ku”. Simples, direto e muito Toriyama, de algum jeito. A data foi reconhecida oficialmente pela Japan Anniversary Association e virou um dia perfeito para celebrar o personagem shounen mais famoso do mundo. Mas Goku não marcou gerações apenas por ficar mais forte. Ele marcou porque mudou de função várias vezes: começou como piada viva, virou aventureiro, herói, rival, pai, salvador e símbolo global de superação.

O primeiro grande momento de Goku não é uma luta. É o encontro com Bulma. Dragon Ball começa em 1984 com uma garota procurando as Esferas do Dragão e encontrando um menino estranho, forte, inocente e isolado nas montanhas, guardando a esfera de quatro estrelas como lembrança do avô.
Esse encontro define tudo. Goku não sai em jornada por ambição, vingança ou destino grandioso. Ele sai porque é curioso. Porque Bulma aparece. Porque o mundo existe e ele ainda não sabe quase nada sobre ele. Essa escolha torna Dragon Ball diferente de vários shounens posteriores. A aventura começa pequena, quase boba, e só depois vira mitologia de luta.
O ponto mais bonito é que Goku nasce como personagem sem malícia. Ele não entende regras sociais, não entende vergonha, não entende poder político, não entende desejo adulto. Isso cria comédia, claro, mas também cria pureza narrativa. Goku é um herói antes de saber que heróis existem. Ele se move pelo espanto.

O primeiro Kamehameha de Goku é uma cena engraçada, mas também é um aviso. Mestre Kame demonstra a técnica em Fry-Pan Mountain, e Goku, criança, tenta imitar logo depois. O absurdo é que funciona. Pequeno, ingênuo e sem noção do tamanho do feito, ele dispara uma versão própria do golpe que viraria o símbolo visual da franquia.
Esse momento importa porque estabelece uma das maiores características de Goku: ele aprende pelo corpo. Não é um personagem acadêmico, estratégico no sentido clássico ou preocupado em explicar teoria. Ele observa, sente, tenta e melhora. Parece simples, mas esse modelo virou base de muito protagonista shounen depois dele.
Também existe um lado muito Toriyama nessa cena. O golpe mais famoso da história dos animes aparece em um momento que ainda tem cheiro de comédia. Não nasce como ritual sagrado. Nasce como brincadeira que dá certo demais. Dragon Ball sempre foi poderoso justamente por isso: conseguia transformar piada em lenda sem pedir licença.

A luta contra Piccolo Daimaoh é o momento em que Dragon Ball muda de temperatura. Antes, a obra já tinha torneios, inimigos fortes e drama, mas a chegada do rei demônio traz morte, medo global e sensação real de catástrofe. Kuririn morre. Mestre Kame também. Piccolo toma o poder e transforma o mundo em refém.
Quando Goku derrota Piccolo com aquele ataque desesperado atravessando o corpo do vilão, ele deixa de ser apenas o menino aventureiro e vira salvador do planeta. A vitória tem peso porque vem depois de perda. Pela primeira vez, a força de Goku não serve só para avançar na jornada. Serve para impedir que o mundo acabe.
Existe uma ironia deliciosa aqui. O dia 9 de maio também é lembrado dentro da franquia como Piccolo Day, a data em que Piccolo Daimaoh declara seu domínio sobre a Terra. Fora da história, virou Goku Day. É quase como se o próprio calendário tivesse escolhido transformar a ameaça de Piccolo em celebração do herói que o derrotou.

Dragon Ball Z começa quebrando a fantasia confortável sobre Goku. Ele não é apenas um menino estranho com cauda. Ele é Kakarotto, um Saiyajin enviado à Terra. A chegada de Raditz muda a origem do personagem, apresenta Gohan, amplia o universo e coloca Goku em uma posição nova: ele agora é pai, alienígena e peça de uma história muito maior.
A morte contra Raditz é brutal porque Goku escolhe se sacrificar. Ele segura o próprio irmão para que Piccolo use o Makankosappo, mesmo sabendo que também será atingido. É um dos momentos mais adultos da franquia até ali. O herói vence, mas não sai vivo.
Esse ponto redefine Goku em três camadas. Como guerreiro, ele descobre que existem forças muito acima dele. Como pai, falha em proteger Gohan de um trauma, mas morre tentando impedir algo pior. Como personagem, passa de origem folclórica para mitologia espacial. Sem Raditz, não existe a escala que levou a Vegeta, Freeza, Super Saiyajin e tudo que Dragon Ball Z virou.

Depois da batalha contra Vegeta, Kuririn tem a chance de matar o príncipe dos Saiyajins. Goku impede. Muita gente lê isso como pura bondade, mas a cena é mais complicada e, por isso, mais interessante. Goku quer enfrentar Vegeta de novo. Ele reconhece um rival. Ele também sente que matar naquele momento encerraria algo que ainda poderia render.
Essa decisão é moralmente questionada, principalmente entre os fãs até hoje. Poupar Vegeta permite que ele continue perigoso. De certo modo, Goku coloca seu desejo de lutar acima de uma solução mais segura. Só que essa escolha também abre uma das maiores trajetórias de redenção dos animes. Vegeta só se torna quem se torna porque Goku não deixa aquela história acabar ali.
Esse momento mostra que Goku não é herói perfeito no molde santo. Ele é movido por fome de desafio. Às vezes, isso salva o mundo. Às vezes, coloca todo mundo em risco. E é justamente essa contradição que torna o personagem mais fascinante do que muita gente admite. Goku inspira, mas também assusta um pouco quando a vontade de lutar fala mais alto que o bom senso.

A transformação em Super Saiyajin contra Freeza é, provavelmente, a imagem definitiva de Dragon Ball Z. Freeza mata Kuririn diante de Goku, Namek está desmoronando e a raiva finalmente rompe uma barreira lendária. O cabelo dourado, os olhos claros, a aura, o silêncio antes da explosão. Tudo ali virou linguagem pop.
O interessante é que essa transformação funciona porque Goku, até então, não era movido por ódio. Ele sempre gostou de lutar, mas não era um personagem raivoso. Quando a fúria aparece, ela tem peso. O Super Saiyajin nasce de luto, impotência e perda. Não é só power-up. É a quebra emocional de alguém que tentou se manter puro diante de um monstro incapaz de sentir compaixão.
Esse momento também mudou o shounen para sempre. Depois dele, transformação virou evento. Forma nova virou clímax. Cabelo mudando de cor virou promessa comercial e dramática. Naruto, Bleach, One Piece, My Hero Academia, Jujutsu Kaisen e tantas outras obras dialogam, de alguma forma, com essa ideia de estado elevado do herói. Goku não inventou evolução de poder, mas transformou isso em religião de fandom.

A derrota de Kid Boo com a Genki Dama fecha Dragon Ball Z de um jeito muito simbólico. Goku é quem lança o golpe final, mas ele não vence sozinho. A energia vem da Terra, dos amigos, dos desconhecidos, dos vivos, dos mortos e até da insistência quase desesperada de Mr. Satan para fazer as pessoas acreditarem.
Esse final é brilhante porque corrige uma armadilha comum do próprio Goku. Ele é poderoso demais, carismático demais e central demais. Seria fácil terminar tudo com mais uma transformação individual. Toriyama escolhe outro caminho: o maior herói precisa da energia de todos. Até o guerreiro mais forte depende da comunidade.
Também existe uma beleza emocional em Goku desejando que Boo volte como alguém bom. Isso prepara a ideia de Uub e mostra uma característica essencial do personagem: ele não enxerga inimigos apenas como pontos finais. Ele enxerga potência. Às vezes isso é irresponsável. Às vezes é lindo. No fim de Dragon Ball Z, é as duas coisas ao mesmo tempo.

Celebrar o Goku Day em 2026 ainda tem um peso diferente desde a morte de Akira Toriyama, em 1º de março de 2024, aos 68 anos, por hematoma subdural agudo, segundo comunicado de Bird Studio e Capsule Corporation Tokyo. A notícia mexeu com fãs no mundo inteiro porque não parecia apenas a perda de um autor. Parecia a perda de alguém que tinha desenhado parte da infância coletiva de milhões de pessoas.
Toriyama criou Goku com uma mistura rara de simplicidade e genialidade. Ele não precisava de explicação filosófica enorme para fazer uma cena funcionar. Um menino com rabo, uma nuvem voadora, uma esfera laranja, um velho tarado mestre de artes marciais, um golpe com nome engraçado e pronto: o mundo já estava aberto. A partir dali, ele construiu uma das obras mais influentes da cultura pop global.
O mais impressionante é que Goku nunca foi “perfeito”. Ele é ingênuo, teimoso, irresponsável em alguns momentos, viciado em luta e às vezes completamente fora da realidade emocional de quem está ao redor. Mesmo assim, o personagem se tornou símbolo de esperança porque Toriyama entendia algo muito simples: heróis não precisam parecer inalcançáveis. Às vezes, eles precisam apenas levantar de novo.
Dragon Ball ensinou uma geração a gostar de treino, torneio, rivalidade, amizade, sacrifício e transformação. Ensinou também que perder faz parte do processo. Goku apanha, morre, volta, erra, melhora e tenta de novo. Essa lógica atravessou mangás, animes, games, memes, camisetas, tatuagens, dublagens brasileiras e tardes inteiras na TV.
Akira Toriyama criou o personagem shounen mais famoso de todos os tempos porque fez algo que parece fácil e quase ninguém consegue repetir: deu ao mundo um herói que é ao mesmo tempo lenda e criança. Goku pode enfrentar deuses, demônios e alienígenas imperadores, mas no fundo continua sendo aquele garoto que saiu de casa porque alguém apareceu procurando uma esfera. E talvez seja por isso que, tantos anos depois, a gente ainda comemora o dia dele.
P: O que é o Goku Day?
R: Goku Day é uma data comemorativa celebrada em 9 de maio. No Japão, a data 5/9 pode ser lida como “Go” e “Ku”, formando o nome Goku. A data foi reconhecida pela Japan Anniversary Association.
P: Por que 9 de maio também tem relação com Piccolo?
R: Dentro da história de Dragon Ball, 9 de maio também é lembrado como Piccolo Day, data em que Piccolo Daimaoh declara seu domínio sobre a Terra. Isso cria uma coincidência curiosa entre a celebração real de Goku e um dos grandes momentos sombrios da obra.
P: Qual é o momento mais famoso do Goku em Dragon Ball Z?
R: A transformação em Super Saiyajin contra Freeza é provavelmente o momento mais famoso. A cena virou um dos ícones máximos dos animes e influenciou a forma como o shounen trabalha transformações até hoje.
P: Goku é o personagem shounen mais famoso de todos os tempos?
R: Goku é amplamente tratado como o personagem shounen mais reconhecível do mundo. A influência de Dragon Ball atravessa gerações, países, animes, games, memes e a própria estrutura de muitas obras de ação posteriores.
P: Akira Toriyama morreu quando?
R: Akira Toriyama morreu em 1º de março de 2024, aos 68 anos. A informação foi divulgada em 8 de março de 2024 por Bird Studio e Capsule Corporation Tokyo.
P: Dragon Ball ainda é importante hoje?
R: Sim. Dragon Ball segue influente porque ajudou a definir a linguagem do shounen moderno, principalmente em treino, rivalidade, transformação, escala de poder e clímax emocional. Mesmo décadas depois, Goku continua sendo referência direta para novos protagonistas.
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