Go For It, Nakamura-kun chegou, mas será que entrega?
Novo anime romance chega com proposta direta, mas primeiros episódios deixam a desejar em desenvolvimento e criatividade
Go For It, Nakamura-kun chegou para tentar conquistar o público de animes românticos, mas os primeiros quatro episódios deixam uma sensação incômoda: apesar de sua abordagem direta e sem rodeios, a série parece não ter muito a dizer além da premissa inicial. É aquele tipo de produção que grita para o público 'ei, olha só como sou sincero' e depois fica patinando em água morna, esperando que a coragem de ser óbvio seja suficiente para prender atenção.
Quando a sinceridade não é suficiente
O romance no anime vem passando por uma transformação interessante nos últimos anos. Longe estão os dias em que uma série poderia simplesmente colocar dois personagens bonitos juntos e deixar os fãs imaginarem o resto. Títulos como Fruits Basket, A Love Story About Finding a Home e Kaguya-sama Love Is War provaram que é possível explorar relacionamentos com camadas, humor genuíno e desenvolvimento de personagem que vai muito além do superficial. A expectativa dos fãs cresceu junto com a qualidade das produções.
Nakamura-kun chega nesse contexto com a proposta de ser direto, sem aqueles rodeios tipicamente japoneses de confissão de amor que duram temporadas inteiras. Parece inovador na teoria, mas na prática, quando você tira os mecanismos que costumavam manter a série funcionando, precisa de algo muito mais interessante no lugar. E é justamente o que falta nos primeiros episódios: aquele algo a mais que justifique existir e mereça seu tempo.
O que os primeiros episódios oferecem
A premissa é simples: Nakamura é um garoto tímido que, em um ato de coragem improvável, convida sua colega de classe para um encontro, e ela aceita. Daí em diante, acompanhamos seu relacionamento se desenvolvendo de forma mais naturalista do que o usual. O anime tira proveito dessa liberdade para mostrar momentos de intimidade que a maioria das produções evitaria, mantendo tudo dentro de limites aceitáveis para o estúdio.
Mas aqui está o problema: depois que você apresenta a premissa, que ele fez o convite e que ela aceitou, o que vem depois? Nos quatro primeiros episódios, a série se vê repetindo a mesma dinâmica. Os personagens conversam sobre coisas que casal conversa, algumas cenas constrangedoras que supostamente geram humor, e tudo volta ao início no próximo episódio. Falta tensão dramática, desenvolvimento de conflito, ou mesmo uma estrutura narrativa que dê razão para continuar.
O vazio por trás da sinceridade
A estratégia de ser direto funciona bem em doses pequenas. Um ou dois episódios mostrando essa abordagem diferente seria refrescante. O problema é tentar construir uma série inteira sobre isso sem ter personagens realmente memoráveis ou situações que gerem riso genuíno. Os personagens de Nakamura-kun existem principalmente para confirmar a premissa, não para explorar suas próprias complexidades, relacionamentos além do casal central, ou mesmo motivações que vão além do óbvio.
Comparado com outras produções recentes, a falta de profundidade fica ainda mais evidente. Mesmo em comedias românticas mais leves, há sempre uma segunda ou terceira camada esperando para ser descoberta. Aqui, você vê tudo na superfície e não há muito para explorar depois. O anime se sente como um conceito interessante que foi jogado em produção sem o suficiente material para sustentar uma série completa.
O que esperar dos próximos passos
Com a série ainda em andamento, existe a possibilidade de que as coisas melhorem conforme os episódios avançam. Às vezes, animes precisam de tempo para encontrar seu ritmo, desenvolver personagens secundários, ou até introduzir conflitos que justifiquem a continuação. Pode ser que Nakamura-kun surpreenda e traga algo mais substancial nas próximas semanas.
Mas por enquanto, o que temos é um anime que teve uma ideia legal, a executou de forma competente nos aspectos técnicos, mas deixou de lado o que realmente importa: contar uma história interessante. Ser direto não é um problema. O problema é quando ser direto é tudo que você tem a oferecer.
Go For It, Nakamura-kun não é ruim o suficiente para descartar completamente, mas também não dá razões convincentes para investir seu tempo nele agora. Talvez valha acompanhar conversas da comunidade para ver se as coisas mudam, mas não entre nessa esperançoso.


