Artigo por
Ítalo Cunha
Novo filme leva Nobita e seus amigos para a Londres vitoriana em uma aventura original com trem a vapor, engrenagens e mistério sobre o tempo

Doraemon já viajou para o fundo do mar, para a Lua, para mundos de dinossauros, ilhas misteriosas e até utopias flutuantes. Agora, o gato-robô mais famoso do Japão vai pegar outro caminho clássico da ficção científica: a Londres do século XIX. O novo filme da franquia se chama Eiga Doraemon: Nobita no Jōki Jikansha, algo próximo de Doraemon: Nobita’s Steam-Powered Time Machine, e estreia nos cinemas japoneses na primavera de 2027.
Segundo a Anime News Network, Oricon e o site oficial japonês do longa, este será o 46º filme da série Doraemon. A história será completamente original, sem adaptar diretamente um filme antigo ou arco específico. Doraemon, Nobita e seus amigos sairão do Japão do século XXI para uma aventura na Inglaterra vitoriana, em uma trama ligada ao mistério do tempo.
Ainda não há título brasileiro, data de estreia no Brasil ou confirmação de distribuição por aqui. Por enquanto, o que existe é o anúncio japonês, um teaser visual e um vídeo curto apresentando a atmosfera do longa. Mesmo assim, o conceito já chama atenção porque junta três coisas que combinam demais com Doraemon: invenção maluca, viagem temporal e criança mexendo em coisa que claramente não deveria mexer.
O teaser divulgado no Japão aposta em uma estética bem diferente dos últimos filmes. Em vez de mar, espaço ou fantasia tropical, a prévia mostra engrenagens, locomotiva a vapor, livros, desenhos de itens secretos e uma ambientação cheia de cara steampunk. Doraemon aparece usando cartola e capa, como se tivesse saído de uma aventura vitoriana misturando Julio Verne, Sherlock Holmes e trem doido atravessando o tempo.
O vídeo também destaca a ideia de que o futuro pode mudar por pequenos acontecimentos. Essa frase conversa diretamente com a base de Doraemon, já que a série nasceu de uma premissa simples: um robô do século XXII volta ao passado para ajudar Nobita a mudar seu destino. O novo filme parece brincar justamente com essa pergunta. Se o tempo pode ser alterado, até onde uma aventura infantil consegue mexer com passado, presente e futuro?
O visual principal mostra Doraemon sorrindo em cima de uma locomotiva a vapor, cercado por engrenagens. É uma imagem simples, mas eficiente. Em poucos segundos, ela vende um clima de aventura, nostalgia e mistério. Para uma franquia tão antiga, isso é esperto. Doraemon continua infantil, mas não precisa parecer pequeno.
A direção será de Rushio Moriyama, que trabalha no anime de Doraemon desde 2020 como storyboarder e diretor de episódios. Este será seu primeiro trabalho na direção de um filme da franquia. Isso pode ser interessante porque a série costuma equilibrar nomes veteranos com profissionais que já conhecem bem o tom do personagem na televisão.
O roteiro fica com Makoto Ueda, nome bem familiar para quem gosta de histórias envolvendo tempo. Ele é ligado ao grupo teatral Europe Kikaku e trabalhou em obras como Tatami Time Machine Blues, The Tatami Galaxy e Penguin Highway. Ou seja, colocar Ueda em um filme de Doraemon sobre viagem temporal não parece escolha aleatória. O cabra já tem intimidade com narrativas em que tempo, cotidiano e absurdo se misturam.
O elenco principal japonês do anime retorna com Wasabi Mizuta como Doraemon, Megumi Ohara como Nobita, Yumi Kakazu como Shizuka, Subaru Kimura como Gian e Tomokazu Seki como Suneo. Para o público brasileiro, esses nomes podem não gerar tanto impacto quanto no Japão, mas garantem continuidade para quem acompanha a versão atual da franquia.
A Londres do século XIX é praticamente um parque de diversões para ficção de aventura. Tem trem, fumaça, rua de pedra, relógio, ciência nascendo em ritmo acelerado, mistério policial e aquela estética de cidade onde parece que todo beco esconde uma invenção perigosa. Não é à toa que tantas histórias envolvendo máquinas, detetives e viagem no tempo voltam para esse imaginário.
Makoto Ueda comentou no anúncio oficial que escolheu a Londres do século XIX por ser um lugar ligado ao desenvolvimento das máquinas a vapor e por enxergar ali uma espécie de “berço do tempo”. A frase é poética, mas faz sentido dentro da proposta. Doraemon vem do futuro, mas seus gadgets sempre funcionaram melhor quando encontravam uma fantasia simples de entender. Uma máquina do tempo em formato de locomotiva a vapor é praticamente isso: tecnologia futurista vestida com roupa antiga.
Também existe uma graça visual forte. Doraemon é um personagem redondo, azul, limpo e moderno. Colocá-lo em um ambiente vitoriano, com cartola, capa, engrenagens e locomotivas, cria contraste imediato. É o tipo de imagem que funciona para criança, fã antigo, colecionador e público casual. Marketing de personagem bom sabe fazer isso sem pedir desculpa.
No Brasil, Doraemon nunca teve o mesmo tamanho popular de Dragon Ball, Pokémon ou Naruto. Mas no Japão ele ocupa outro patamar. É personagem geracional. A própria ShoPro descreve Doraemon como uma marca amada por crianças, jovens e adultos, com o anime em exibição desde 1979 e filmes lançados regularmente desde 1980.
Essa longevidade acontece porque Doraemon tem uma fórmula muito rara. Ele fala com criança sem tratar criança como boba. A obra usa situações simples, quase sempre ligadas a insegurança, preguiça, medo, inveja, curiosidade e pequenos egoísmos do Nobita. Aí entra o gadget futurista, resolve um problema de forma torta e termina ensinando algo sem virar sermão de escola.
O novo filme parece seguir esse espírito. A viagem para Londres não precisa ser só cenário bonito. Pode servir para falar sobre tempo, escolhas e consequência, três temas que Doraemon sempre carregou debaixo daquela aparência fofinha. Criança entende isso melhor do que adulto imagina. Adulto é que às vezes complica demais.
Por enquanto, não há sinopse detalhada, vilão revelado ou data exata de estreia no Japão. A janela confirmada é a primavera japonesa de 2027, período que geralmente fica entre março e maio. Também não há previsão brasileira.
O que já dá para esperar é uma aventura com forte apelo visual, misturando viagem no tempo, locomotiva a vapor, gadgets clássicos e ambientação vitoriana. O fato de ser uma história original ajuda, porque evita a comparação direta com remakes recentes da franquia. Depois de Doraemon: Nobita and the New Castle of the Undersea Devil, lançado no Japão em fevereiro de 2026 como releitura de um clássico de 1983, a nova produção volta a apostar em uma ideia inédita.
Para quem acompanha cinema de anime familiar, o filme merece atenção. Doraemon não costuma disputar a conversa global como Demon Slayer ou One Piece, mas continua sendo uma das máquinas culturais mais consistentes do Japão. E quando uma franquia desse tamanho escolhe falar sobre tempo em uma Londres vitoriana cheia de engrenagens, alguma coisa interessante pode sair daí.
No fim, Doraemon nunca precisou parecer “moderno” no sentido mais barulhento da palavra. Ele funciona porque entende desejo infantil melhor do que quase todo mundo: e se eu pudesse abrir uma gaveta, entrar em uma máquina impossível e consertar alguma coisa no meu futuro? O filme de 2027 parece pegar essa pergunta e colocar fumaça de locomotiva em cima. Já é um bom começo.
P: Qual é o nome do filme de Doraemon de 2027?
R: O título japonês é Eiga Doraemon: Nobita no Jōki Jikansha. Em tradução aproximada, ele pode ser chamado de Doraemon: Nobita’s Steam-Powered Time Machine, mas ainda não há título oficial em português.
P: Quando estreia o novo filme de Doraemon?
R: O filme estreia no Japão na primavera de 2027. A data exata ainda não foi divulgada.
P: O filme de Doraemon de 2027 vai sair no Brasil?
R: Até agora, não há confirmação de estreia no Brasil. Também não foi anunciado lançamento em streaming ou cinemas nacionais.
P: Qual será a história do novo filme de Doraemon?
R: A aventura levará Doraemon, Nobita e seus amigos do Japão do século XXI para a Londres vitoriana do século XIX. A trama será original e vai girar em torno de viagem no tempo.
P: Quem dirige Doraemon: Nobita’s Steam-Powered Time Machine?
R: O filme será dirigido por Rushio Moriyama, que já trabalhou em episódios do anime de Doraemon. O roteiro é de Makoto Ueda, conhecido por obras com temas de tempo e ficção científica.
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