Artigo por
Ítalo Cunha
The Calamity estreou no Disney+ com ritmo seguro, visual afiado e a promessa de corrigir uma ferida antiga do mangá

Bleach voltou para sua última rodada como quem sabe exatamente o peso que carrega. A parte final de Bleach: Thousand-Year Blood War, chamada The Calamity, estreou no Disney+ em 25 de julho de 2026 e já colocou os fãs diante de uma das promessas mais aguardadas do arco: a chegada da Bankai de Kisuke Urahara em versão animada. Para quem acompanhou o mangá, isso não é só “mais uma técnica legal”. É uma dívida emocional sendo paga com anos de atraso.
A nova leva retoma o caos deixado pela terceira parte. Ichigo Kurosaki segue rumo ao confronto definitivo contra Yhwach, enquanto o campo de batalha no antigo palácio do Rei das Almas se divide entre duelos decisivos. Uryu Ishida encara Jugram Haschwalth, Yoruichi enfrenta Askin Nakk Le Vaar, e Urahara entra em cena no tipo de momento que Bleach sempre soube vender bem: personagem misterioso, trilha marcante, ameaça absurda e aquela sensação de que algo grande está prestes a acontecer.
A estreia não tenta explodir tudo logo no primeiro episódio. E isso é bom. Depois de três partes com muita revelação, guerra espiritual e escalada de poder, The Calamity parece entender que o público não precisa apenas de pancadaria. Precisa de tensão.
O primeiro episódio funciona como reposicionamento. Ele lembra onde cada peça está no tabuleiro, reacende os conflitos principais e prepara o terreno para batalhas que os fãs esperam há anos. A luta de Yoruichi contra Askin rouba boa parte da atenção, tanto pela coreografia quanto pela forma como expõe uma das marcas de Bleach: personagens secundários com carisma suficiente para segurar um episódio inteiro sem Ichigo precisar dominar cada cena.
A adaptação do Studio Pierrot Films mantém aquilo que já vinha sendo o grande trunfo de Thousand-Year Blood War: direção visual mais elegante, cores agressivas, sombras pesadas e uma fotografia que finalmente trata Bleach como uma obra de estilo, não apenas como mais um shonen de batalha. O anime clássico tinha alma, trilha sonora memorável e personagens fortíssimos, mas também sofria com ritmo irregular e fillers demais. A fase nova chega com outra ambição.
O grande gancho da estreia está em Kisuke Urahara. Desde o começo da obra, ele sempre foi aquele personagem que parece saber mais do que todos ao redor. Meio vendedor de loja suspeita, meio cientista brilhante, meio mentor que responde pergunta séria com sorriso de quem já aprontou alguma coisa.
A Bankai de Urahara é um dos momentos mais esperados de Bleach porque toca em algo raro: mistério bem preservado. Durante anos, a obra deixou claro que ele era perigoso, mas sem entregar tudo. Quando esse tipo de personagem finalmente revela sua carta principal, a expectativa não vem só do poder em si. Vem da pergunta: “afinal, o que esse cara estava escondendo esse tempo todo?”
Sem entrar em spoiler pesado para quem só acompanha o anime, a habilidade de Urahara combina muito com o personagem. Não é apenas força bruta. É manipulação, reparo, reconstrução e inteligência aplicada ao combate. Bleach sempre brilhou quando seus poderes refletiam a personalidade dos usuários, e esse é um dos exemplos mais interessantes da obra de Tite Kubo.
Aqui entra a parte mais delicada. O final do mangá de Bleach dividiu muita gente. Não por falta de ideias boas, mas porque alguns conflitos pareciam correr mais do que deveriam, certos personagens ficaram com desenvolvimento menor do que o prometido e a reta final deixou um gostinho de “era para ter mais coisa aqui”.
É justamente por isso que The Calamity importa tanto. A adaptação de Thousand-Year Blood War não está apenas colocando páginas em movimento. Ela vem ajustando ritmo, expandindo cenas e dando mais presença a personagens que ficaram apertados no material original. Tite Kubo acompanha a produção de perto, e isso aumenta a sensação de que o anime pode funcionar como uma espécie de segunda chance para o desfecho.
Essa é a diferença entre nostalgia barata e reparação criativa. Bleach não voltou só para fazer fã antigo gritar “Bankai” no sofá, embora isso também aconteça, claro. A série voltou para tentar fechar sua própria história com mais fôlego, mais controle e uma apresentação à altura da importância que teve nos anos 2000.
No Brasil, The Calamity está disponível no Disney+ com episódios semanais aos sábados, às 11h30, no horário de Brasília. A VIZ também confirma a distribuição internacional pelo Disney+, enquanto nos Estados Unidos a exibição acontece via Hulu e Hulu no Disney+.
Esse ponto merece atenção porque Bleach passou anos em uma posição estranha para o público brasileiro. Era gigante, mas nem sempre estava bem tratado oficialmente. Agora, com o anime clássico e Thousand-Year Blood War no mesmo streaming, a franquia fica mais acessível para quem quer começar ou reassistir sem caçar episódio perdido por aí.
A desvantagem é que Disney+ ainda não tem o mesmo peso simbólico da Crunchyroll dentro do público otaku. Muita gente nem lembra de procurar anime lá. Só que Bleach ajuda a mudar essa percepção. Ao lado de obras como Ghost in the Shell e outros títulos recentes, o catálogo começa a mostrar que a Disney quer disputar esse espaço com mais seriedade.
O segundo episódio deve concluir ou avançar bastante o momento envolvendo Urahara, Yoruichi e Askin. Também existe grande expectativa para a evolução do conflito entre Uryu e Haschwalth, já que a adaptação vem dando mais musculatura dramática ao papel de Uryu do que o mangá conseguiu entregar em algumas partes.
A grande pergunta é se The Calamity vai manter equilíbrio entre espetáculo e fechamento emocional. Bleach sempre teve pose, estilo e frases de impacto. Isso faz parte do charme. Mas agora, no fim, a obra precisa entregar consequência. Não basta mostrar Bankai bonita. Tem que fazer o público sentir que essas batalhas encerram ciclos de verdade.
Se o começo serve de sinal, o anime está no caminho certo. A estreia não é o episódio mais explosivo de Thousand-Year Blood War, mas é uma abertura confiante. Ela prepara a mesa, lembra por que esses personagens são queridos e deixa claro que a despedida de Bleach quer ser grande.
E talvez seja esse o ponto mais bonito. Durante muito tempo, Bleach foi tratado como o integrante mais “problemático” dos Big Three, enquanto One Piece continuava gigante e Naruto mantinha presença constante por meio de Boruto. Agora, Ichigo retorna ao centro da conversa com uma adaptação que entende o valor da obra. Não tenta esconder seus excessos. Tenta lapidar o que sempre fez Bleach ser Bleach: estilo, melancolia, espadas, monstros internos e personagens que parecem caminhar para a batalha como se estivessem entrando em um videoclipe gótico de luxo. E quer saber? Às vezes, é exatamente isso que a gente quer ver.
FAQ
Quando estreou Bleach: Thousand-Year Blood War The Calamity?
A parte final estreou em 25 de julho de 2026. No Brasil, os episódios chegam semanalmente pelo Disney+.
Onde assistir ao final de Bleach no Brasil?
Bleach: Thousand-Year Blood War The Calamity está disponível no Disney+. O anime clássico de Bleach também pode ser encontrado na plataforma.
Que horas sai episódio novo de Bleach no Disney+?
A exibição semanal no Brasil acontece aos sábados, às 11h30, no horário de Brasília, de acordo com a programação divulgada.
Preciso assistir Bleach antigo antes de Thousand-Year Blood War?
Sim, é altamente recomendado. Thousand-Year Blood War adapta o arco final do mangá e depende de relações, rivalidades e revelações construídas no anime clássico.
A Bankai de Urahara aparece em The Calamity?
A estreia prepara diretamente esse momento. Para os fãs do mangá, essa é uma das cenas mais aguardadas da reta final de Bleach.
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