Cabra Geeki
Animes/Mangás1 de maio de 202610 min de leitura

10 animes dos anos 2000 esquecidos para ver na Crunchyroll

Ítalo Cunha

Artigo por

Ítalo Cunha

@cabrageeki

Veja 10 animes dos anos 2000 na Crunchyroll que fogem do mainstream, com faixa etária, clima de cada obra e motivos reais para assistir

10 animes dos anos 2000 esquecidos para ver na Crunchyroll

A década de 2000 foi uma fase estranha e maravilhosa para os animes. Todo mundo lembra de Naruto, Bleach, Death Note, Fullmetal Alchemist e Code Geass, mas existe uma prateleira inteira de obras que ficaram fora da conversa mainstream e ainda valem muito o play. E o melhor: vários desses animes dos anos 2000 na Crunchyroll estão ali, meio escondidos no catálogo, esperando alguém sair da página dos lançamentos da temporada.

Esta lista foi pensada para quem quer garimpar coisa boa, não só repetir o óbvio. Tem drama criminal, fantasia política, horror psicológico, ficção científica, romance trágico e samurai brutal. Também deixei a faixa etária explícita em cada indicação, usando a classificação indicada nos guias de streaming quando disponível e, quando ela não aparece claramente no Brasil, uma recomendação responsável pelo conteúdo da obra.

Disponibilidade consultada em 1º de maio de 2026. Catálogo de streaming muda, então vale conferir no app da Crunchyroll antes de começar.

10. Black Blood Brothers

Ano: 2006
Faixa etária: 16+
Episódios: 12
Para quem curte: vampiros, ação sobrenatural e histórias curtas

Black Blood Brothers não reinventa vampiros, mas entrega exatamente aquele tipo de anime compacto dos anos 2000 que sabia ser direto. A trama acompanha Jiro Mochizuki, um vampiro veterano que tenta proteger o irmão mais novo enquanto tensões antigas entre humanos e linhagens vampíricas voltam a explodir.

O valor aqui está no ritmo. São só 12 episódios, sem enrolação demais e com um clima de fantasia urbana que envelheceu de forma curiosa. Não é o anime mais profundo da lista, mas funciona bem como maratona rápida para quem quer ação, sangue, clãs e aquela estética meio gótica que marcou muita produção da época.

9. Kaze no Stigma

Ano: 2007
Faixa etária: 14+
Episódios: 24
Para quem curte: magia elemental, protagonista confiante e rivalidade familiar

Kaze no Stigma é um daqueles animes que muita gente viu em algum fansub antigo e depois nunca mais comentou. A história gira em torno de Kazuma, expulso de sua família por não dominar magia de fogo, que retorna anos depois como um poderoso usuário do vento. A partir daí, a série mistura rancor familiar, investigação sobrenatural e ação mágica.

Ele vale pela energia de anime de madrugada. Tem charme, tem exagero e tem aquele protagonista que entra em cena sabendo que pode vencer quase todo mundo. Não é uma obra refinada como Fate ou tão popular quanto Bleach, mas conversa bem com quem sente falta de fantasia urbana mais simples e funcional.

8. Witchblade

Ano: 2006
Faixa etária: 16+
Episódios: 24
Para quem curte: ação sci-fi, anti-heroína e drama maternal

A versão anime de Witchblade é uma adaptação curiosíssima do conceito criado nos quadrinhos americanos. Em vez de copiar tudo literalmente, a série coloca Masane Amaha no centro de uma história sobre maternidade, poder corporal e organizações tentando controlar uma arma viva.

Sim, existe sensualização forte, típica da época e do próprio material. Mas reduzir Witchblade só a isso seria injusto. O coração da obra está na relação entre Masane e sua filha Rihoko. Quando esse lado dramático entra, o anime ganha peso emocional inesperado. É uma recomendação para adultos ou adolescentes mais velhos, especialmente por violência, sexualização e temas familiares pesados.

7. Trinity Blood

Ano: 2005
Faixa etária: 16+
Episódios: 24
Para quem curte: vampiros, Vaticano, visual gótico e política religiosa

Trinity Blood é puro anos 2000 em sua forma mais estilosa. O mundo pós-apocalíptico coloca humanos e vampiros em conflito, com o Vaticano operando como força política e militar. No meio disso aparece Abel Nightroad, um padre aparentemente atrapalhado que esconde uma natureza muito mais perigosa.

O anime tem problemas de adaptação e deixa algumas pontas com gosto de “queria mais”. Mesmo assim, o visual, a trilha, o clima de conspiração e a estética gótica continuam muito fortes. Para quem gosta de Hellsing, mas quer algo mais melodramático e político, é uma boa parada.

6. Solty Rei

Ano: 2005
Faixa etária: 14+
Episódios: 24
Para quem curte: ficção científica com coração, caçadores de recompensa e família improvável

Solty Rei começa parecendo só mais uma ficção científica com cidade futurista, caçador de recompensa e garota misteriosa. Só que o anime cresce quando abraça seu lado emocional. Roy Revant é um homem quebrado por perdas, e Solty surge como uma presença quase impossível, misturando inocência, poder e mistério.

O grande acerto é a relação entre os dois. O anime funciona melhor quando deixa a ação respirar e foca em afeto, luto e reconstrução familiar. Ele não tem a fama de Cowboy Bebop nem a densidade de Ghost in the Shell, mas entrega uma história humana dentro de um cenário sci-fi bem gostoso de acompanhar.

5. Kurau Phantom Memory

Ano: 2004
Faixa etária: 14+
Episódios: 24
Para quem curte: sci-fi dramático, protagonistas femininas e laços emocionais fortes

Kurau Phantom Memory é uma das indicações mais bonitas da lista. A história começa em uma colônia lunar, quando Kurau sofre um acidente envolvendo uma forma de energia chamada Rynax. A partir disso, ela passa a dividir existência com outra entidade, Christmas, e vira alvo de forças que querem controlar esse poder.

O que poderia virar só perseguição sci-fi se transforma em algo mais íntimo. Kurau fala sobre identidade, parceria, solidão e o medo de ser reduzido a experimento. É uma obra delicada, com ação quando precisa, mas muito mais interessada em vínculo do que em explosão. Para mim, é o tipo de anime que merecia ser redescoberto por mais gente.

4. Casshern Sins

Ano: 2008
Faixa etária: 16+
Episódios: 24
Para quem curte: pós-apocalipse, filosofia, melancolia e ação estilizada

Casshern Sins é lindo e triste de um jeito quase cruel. O mundo está morrendo, robôs enferrujam, humanos mal resistem e Casshern vaga sem memória, carregando a culpa de ter causado a ruína ao matar Luna. A premissa parece simples, mas o anime usa essa caminhada para falar de morte, permanência, arrependimento e sentido.

Não é uma série para quem quer recompensa rápida. Ela é repetitiva de propósito em alguns momentos, quase como uma peregrinação. Só que a direção de arte, o clima de fim de mundo e as lutas elegantes fazem tudo ganhar uma força própria. É um anime para assistir com calma, aceitando a tristeza que ele coloca na mesa.

3. Gungrave

Ano: 2003
Faixa etária: 16+
Episódios: 26
Para quem curte: máfia, amizade destruída, vingança e tragédia masculina

Gungrave nasceu de um jogo, mas o anime é muito mais interessante quando esquece a pancadaria sobrenatural e mergulha na relação entre Brandon Heat e Harry MacDowell. No fundo, essa é uma história de amizade, ambição e traição dentro de uma organização criminosa. Quando a queda acontece, ela dói porque o anime construiu tudo antes.

É uma recomendação forte para quem gosta de drama criminal, tipo 91 Days, mas com uma pegada mais noventista e exagerada. O começo pode enganar quem espera ação sem parar, mas a paciência compensa. Gungrave é uma tragédia sobre dois homens que queriam subir juntos e acabaram virando destinos opostos.

2. Basilisk: O Pergaminho Secreto dos Kougas

Ano: 2005
Faixa etária: 16+
Episódios: 24
Para quem curte: ninjas, romance trágico, violência e destino cruel

Antes de Demon Slayer transformar tragédia e ação em fenômeno global, Basilisk já fazia uma mistura pesada de romance condenado e batalhas violentas. A história coloca dois clãs ninja, Kouga e Iga, em uma disputa mortal para decidir uma sucessão política. No centro disso estão Gennosuke e Oboro, dois amantes presos em lados opostos.

A comparação mais fácil é Romeu e Julieta com ninjas, mas isso não faz justiça ao peso da obra. Basilisk é cruel, direto e cheio de personagens com habilidades bizarras. O anime entende que cada morte precisa ter impacto. Para quem gosta de ação com consequência real, é um dos melhores achados do catálogo.

1. Gankutsuou: The Count of Monte Cristo

Ano: 2004
Faixa etária: 16+
Episódios: 24
Para quem curte: vingança elegante, ficção científica, drama aristocrático e visual experimental

Gankutsuou é o tipo de anime que prova como adaptação boa não precisa ser tradução literal. A obra pega O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, joga a história em um futuro aristocrático de ficção científica e entrega um dos visuais mais ousados dos anos 2000. Os padrões, texturas e cores parecem vivos, quase como se a tela estivesse em constante movimento.

Mas não é só estética. A história de vingança do Conde continua poderosa porque o anime entende o veneno emocional da trama. Ele fala sobre traição, privilégio, desejo, decadência e inocência sendo destruída aos poucos. É sofisticado sem ser chato, estranho sem ser vazio e dramático sem perder elegância.

Se você só puder escolher um anime desta lista, eu começaria por ele. Gankutsuou é exatamente o tipo de obra que o mainstream deixou passar longe demais, mas que ainda parece especial quando alguém descobre hoje.

Shigurui: Death Frenzy

Menção adulta: Shigurui: Death Frenzy

Ano: 2007
Faixa etária: 18+
Episódios: 12
Para quem curte: samurai brutal, horror corporal e drama seco

Eu deixaria Shigurui como menção extra porque ele é excelente, mas não é para todo mundo. É uma obra lenta, violenta, desconfortável e cheia de crueldade física. A história acompanha dois espadachins marcados por rivalidade, mutilação e ambição em uma disputa que parece mais ritual de destruição do que duelo.

Se você aguenta anime pesado e gosta de obras como Blade of the Immortal ou Ninja Scroll, vale muito conferir. Só não entra esperando aventura samurai estilosa. Shigurui é feio por escolha, seco por convicção e brutal o bastante para afastar muita gente logo nos primeiros episódios.

Por onde começar?

Se você quer uma entrada mais segura, vá de Gankutsuou, Basilisk ou Gungrave. Se busca algo mais sentimental, Kurau Phantom Memory e Solty Rei podem surpreender. Para ficção científica melancólica, Casshern Sins é a melhor pedida. E se a ideia é ver algo de vampiro com estética 2000 pura, Trinity Blood, Witchblade e Black Blood Brothers seguram bem a nostalgia.

O ponto principal é este: a Crunchyroll não vive só de simulcast e shonen famoso. O catálogo ainda guarda muita coisa da década de 2000 que ajuda a entender como o anime chegou até aqui. Nem tudo envelheceu perfeitamente, claro. Mas alguns desses títulos carregam justamente aquela coragem estranha de uma época em que muita série parecia disposta a tentar algo esquisito, intenso ou simplesmente fora da moda.

FAQ

P: Esses animes estão disponíveis na Crunchyroll Brasil?
R: Sim, a lista foi montada com base em disponibilidade consultada em guias de streaming para o Brasil em maio de 2026. Como catálogo muda, vale checar no app antes de assistir.

P: Qual desses animes é melhor para começar?
R: Gankutsuou é a melhor porta de entrada se você quer algo visualmente marcante e bem escrito. Basilisk é mais direto para quem prefere ação e tragédia.

P: Tem anime leve nessa lista?
R: Solty Rei e Kaze no Stigma são os mais fáceis de assistir. Mesmo assim, quase todos têm algum nível de drama, violência ou tema adulto.

P: Qual é o mais pesado da lista?
R: Shigurui: Death Frenzy é o mais pesado, com violência gráfica e clima extremamente sombrio. Witchblade, Basilisk e Casshern Sins também pedem mais maturidade.

P: Esses animes são todos dublados em português?
R: Não necessariamente. Alguns aparecem com áudio japonês e inglês, e a disponibilidade de legenda ou dublagem pode variar. A checagem ideal é feita direto na página de cada título na Crunchyroll.

P: Por que chamar esses animes de desconhecidos do mainstream?
R: Porque eles não estão no mesmo nível de lembrança popular de títulos como Naruto, Bleach, Death Note ou Fullmetal Alchemist. Muitos são conhecidos por fãs veteranos, mas ficaram fora da conversa maior.

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